Como uma variável o tempo todo a nos perseguir, cobrando-nos por assim dizer, uma releitura da cronologia temporal da vida, parte do "passado-vivo" a invadir o cotidiano, e a nos oferecer uma real visão, pode-se constatar e, principalmente revisto, exemplo na beleza, na arquitetura antiga em que a sociedade da época imprimira sua marca no modus operandi das moradias erguida em estilo rebuscado de traços artísticos revelando fortes influências de características barroco-colonial de linhas neoclássicas aos moldes do século XIX – um marco inconfundível da arquitetura lusitana do período colonial. Em que pese o desejo de auto-afirmação da classe dominante da época, ao tentar se impor socio culturalmente, enquanto força de poder, é inegável admitir todo o refinamento e o bom-gosto (consciente ou não), presentes na sociedade abastada daquele período.
Todo legado histórico ainda permanece, hoje, qual um fragmento do tempo congelado no pretérito e no âmbar do velho sonho de grandeza, expresso inclusive, nos velhos casarões que ainda agora compõem o antigo modelo da arquitetura Itapebiense, que a duras penas, ainda se mantêm |
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de pé, mesmo diante do intenso processo de descaracterização estrutural a que estão submetidos.
O patrimônio histórico-arquitetônico de Itapebi, embora modesto, sobretudo em face do que já foi perdido, precisa ser melhor compreendido, portanto preservado à posteridade, por se tratar de um bem social e até imaterial que também devem pertencer às futuras gerações. Outras, infelizmente, já se perderam no tempo e no espaço como o prédio que abrigou a Prefeitura, demolido a mais de uma década. A única maneira de enfrentarmos monstro da pós-modernidade que tudo destrói, vomita e devora é, seguramente, preservar o resto do passado que ainda nos resta.
Num passeio com minhas filhas Isadora e Maria Eduarda, pela minha Itapebi “cidade baixa”, em punho minha câmera fotográfica, retornei ao passado ainda desenhado pela infância e que agora repasso aos olhares curiosos de minhas crianças, hoje, nomes de moradores diferentes dos nomes antigos, para elas são pronunciados com muita lucidez ao ver fotos dos casarões. |