DA TELA COM TINTA PARA O DESIGN GRÁFICO
Por Neuzamaria Kerner diversos-afins
Nas beiradas baianas do Rio Jequitinhonha, em Itapebi, Marivaldo do Carmo Nascimento observa o rio cheio passante e imagina o fundo, não só do rio, como o também fundo de todas as coisas e tenta entendê-las. Na parte mais abissal do rio, talvez existam até as sereias que permeiam o imaginário das crianças. Mas os barqueiros atravessam suas canoas e devem trazer as suas versões para as crianças das areias que não arriscavam mergulhos talvez por medo de serem engolidos pela boca faminta de um peral repentino.
No velho rio, o moderno já havia se instalado pelo olhar de Marivaldo, hoje artista plástico por hobby, especialmente por rejeitar as formas e convenções tradicionais para inovar com um modernismo colorido o que ele vira na concreta cidade com o rio da sua infância. Por isso, o artista se dedicar a pintar suas telas e, em seguida, adaptá-las para os olhares humanos via racionalidade e avanços tecnológicos. Daí, podermos inferir que o modernismo, representa, por bem ou por mal, tivéssemos dado a volta em seu derredor. Também, classificar como puro Surrealismo seria perigoso porque nem todas as característicasdesta a vitória |
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da razão sobre a inspiraçãoeconcluirmos que, embora romântico, esse menino “rejeitou” o convencional e os modos tradicionais de expressão para retratar o mundo que, um dia, viu passar nas beiradas do seu rio, com o fluxo constante, e desaguou em Brasília, onde vive hoje como funcionário público (mais uma regra transgredida). Gombrich em História das Artes, comentando sobre o quadro Violino e Uvas de Pablo Picasso, nos diz: Por que não ser coerente e aceitar o fato de que nosso objetivo real é construir algo, em vez de copiar algo? Se pensarmos um objeto, digamos, um violino, ele não se apresenta ao olho da nossa mente tal o vemos com os olhos do nosso corpo. Podemos pensar, e de fato pensamos, em seus vários aspectos ao mesmo tempo. Alguns deles destacam-se com tanta clareza que sentimos poder tocá-los e manipulá-los. E, no entanto, essa estranha mistura de imagens representa mais o violino “real” do que qualquer instantâneo ou pintura meticulosa poderia jamais conter.”Ao repensar as palavras de Gombrich, temo classificar a arte de Marivaldo como puro Cubismo Pictórico, que seria o desejo de transmitir a estrutura total do objeto, decompondo as formas em diferentes planos geométricos, como se estivesse sido contemplado sob diferentes ângulos de visão ou escola estão presentes nos quadros |
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de Marivaldo, levando em conta a idéiade que no surreal subjaz a noção de real, quando a imaginação é solta e o onírico fantástico se impõe. Lembremos de Salvador Dali para que possamos clarear nossa memória. Em verdade, a arte é arte e não precisa ter nomes ou classificações para que nos deleitemos com ela.
No entanto, não seria interessante dizer apenas que o artista em questão faz design gráfico. Ele se utiliza da linguagem tecnológica, com sua capacidade de criação, apresenta suas imagens feitas inicialmente em tela e óleo, numa outra versão que interage perfeitamente com o receptor da mensagem. Portanto, Marivaldo é a confirmação de que o computador, essa ferramenta bem moderna de trabalho, não é artista, não faz nada sozinho sem que a mão do ser humano sensível esteja diante de uma “tela” diferente.
Filho de Raulino Teixeira e Maria do Carmo, Marivaldo é casado com Tânia Rosa de Jesus com quem tem as filhas Luana e Bruna de Jesus Nascimento, reside em Brasília, Distrito Federal onde trabalha no Tribunal de Contas da União como Técnico Federal, é membro associado da AFAI, instituição pela qual "luto na
expectativa de ver resgatada a nossa cultura, o nosso passado como um todo e em todos os sentidos".
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Publicado pelo jornal do Tribunal de Contas da União com destaque na página do "Faz e acontece" espaço reservado a artistas funcionários da casa, o servidor Marivaldo do Carmo Nascimento, apaixonado pela arte de recompor o senso de harmonia, de proporção e equilíbrios através de trabalhos, seja em escultura, óleo sobre telas ou através do processo gráfico, expressa com sentimentos, com traços próprios e cores alegres, um dom. |