SOLENES INTENÇÕES |
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Neste momento solene!... Calma ó escrevinhador, não se precipite; acontecimento importante como esse do PAC-Cacau merece ser mais curtido! Interrompi-me.
Procurava então, barrada a exaltação mental do exórdio, por volta das cinco horas da tarde de 9 de maio adentrar o circuito quando um policial: “Senhor, aqui só autoridades, mas pode seguir por essa rua e dobrar a esquerda que chega ao palanque da Catedral”. Sem cara nem crachá do atributo, obedeci. Como a tal área reservada era o quarteirão inteiro do início sul da Soares Lopes, no trajeto indicado me pus a refletir o porquê da exclusividade de tão alargado espaço. Logo concluiria ser a precaução a razão dos organizadores, porque havendo a expectativa de personalidades políticas das mais variadas, afastando-as do calor popular, evitar-se-ia, em dia tão especial, possíveis constrangimentos com um ou outro sonoro “corrupto” endereçado a um desses credenciados.
Já no miolo da platéia a respeito um parceiro salientara: “Questão de segurança, amigo! Lembra da vez do FHC, que se enclausurou lá pelo Cepec sem encarar o povo prometendo isso e aquilo? teve até atiradores de elite!”. É isso aí cara, seguro morreu de velho, quanto mais em um país ainda incompetente na “insegurança pública”, quer dizer, em solucionar a “insegurança!...”, opinei concordando. Pois é, o galerão todo ali, com mangangões e chefes de mangangões, positivamente contrariava minha antiga suspeita, dessas, tipo São Tomé. A falação mal iniciava e os aplausos davam o tom, também apupos, ao sabor da citação do nome de um Ministro. E deste, conclusão de analistas de plantão, o indireto troco a um Secretário baiano. Da arena, outro destaque – positivo – conforme as vozes da rua, foi o prefeito Newton Lima que, embora não tivesse se lançado ao ataque, tocou bem a bola no meio de campo e ganhara a torcida. Sim,tudo caminhava nas entrelinhas, mas os “uivados” de lá de cima e os de cá, inoportunos naquele ato solene, evidenciaram de quem e para quem e vice-versa. E tanto clareada ficara a desavença, a disputa |
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política regional que, o Presidente da República e o Governador do Estado da Bahia tiveram que intervir sem ilações, claro, com uma amenizadazinha do “fazer parte da democracia”, para aliviar o já feio bate-boca.
De lado essas picuinhas políticas – e se forem contidas para não emperrar o alcance do firmado –, pode-se aceitar como um dia que entrará na história da Região Cacaueira, porque o PAC cacaueiro, como anunciado, propondo, vale sempre repetir, o investimento no cacau (com renegociação da dívida dos produtores), na diversificação agrícola envolvendo fruteiras e a industrialização (sobretudo na fabricação de chocolate), em floricultura, no aproveitamento do dendê para biocombustível e na seringueira para pneumáticos, significará crescimento econômico e daí, a possibilidade, com geração e distribuição de emprego e renda, do desenvolvimento social regional. E isso recheado com o que já chamaram de vocação de Ilhéus: o Porto “novo” e os seus complementos.
Evidentemente sob a égide já de uma consciência ambiental regional (ou pelo menos um desejo pregado), da dos governos e, das imprescindíveis atenções de órgãos afins, e doravante redobradas, visto a saída inesperada da ministra Marina Silva – uma guardiã ambiental do Brasil – do Ministério do Meio Ambiente por discordâncias ministeriais envolvendo a política preservacionista e interesses econômicos, muitos das vezes incompatíveis.
E quem diria! A Ceplac que há pouco tempo esteve na mira do desmantelamento, conforme afirmação – suposta – do ministro Reinhold Stephanes (da Agricultura) no Senado, eis que, numa reviravolta sensacional, o próprio Ministro, em carne e osso, e em pleno palanque na cidade de Ilhéus, assina sua revitalização.
Findada a curtição, espero que num futuro próximo, a escrevinhação – sem mais interrupção e a influência de santo precavido – seja para registrar, com o devido exaltar, é lógico, os louros das solenes intenções. |
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