E AÍ?
 

Numa escrevinhação de dias atrás, metendo ligeiramente o bedelho na polêmica do projetado Porto Sul (ironicamente na zona norte de Ilhéus), eu opinava que dos governantes esperava bons níveis de consciência patriótica para separar o joio do trigo.    

Explicado: como o local pré-escolhido para o investimento é considerado de preservação ambiental e é de uma beleza natural inigualável, preocupava-me como cidadão, com o governo (federal e baiano) em tocar a obra sem a observância necessária do ambiente.

Evidentemente que poluição e degradação ambiental são inevitáveis e bem dizer incidem desde o tempo que Caminha, se referindo a terra nossa e fazendo como que um ufanismo da fertilidade, escrevera que “... dar-se-á nela tudo...”.

À minha condição de leigo, um especialista me orientaria que um hotel, ou um resort impactará menos. Certamente. Mas como de “preservação” como sugere o nome, nenhuma indústria, nem mesmo a do lazer, seria aconselhável ou permitida.  E até o eco-turismo tornar-se-ia suspeito.

Acontece que há bom tempo, após a vassoura-de-bruxa para ser preciso,  Ilhéus e Região vêm convivendo com uma estagnação econômica sem precedente. Daí o dilema: se de um lado o governo baiano badala tirar a Região do atoleiro fazendo de Ilhéus um pólo irradiador de desenvolvimento com a implantação do complexo intermodal (porto/aeroporto/ferrovia/rodovia) objetivando a exportação de minérios, grãos e outros produtos, de outro, não se justifica obras a qualquer custo, obras que venham causar no futuro, danos irreversíveis à natureza. E uma prova, como já se disse, é o Porto do Malhado, aqui pertinho. E já se alertou dos desastres dos projetos faraônicos e salvadores do passado, se bem, em épocas em que a sociedade não havia conquistado a força e a organização de hoje, em especial no direito (embora por vezes ainda incrivelmente violentado pelo próprio Estado Brasileiro).

 Buscando inteirar-me a respeito, dia desses presenciava no Centro de Convenções (iniciativa da deputada Ângela Souza) da falação de autoridades municipais, estaduais e de organismos de defesa ambiental. Ouvia todos com atenção quando o presidente da Associação Comercial de Ilhéus, José Leite, após declarar a aprovação do empreendimento consorciado a uma “responsabilidade ambiental” ele tocava, se referindo às possibilidades turísticas regional, na importância da ligação rodoviária Belmonte/Canavieiras. A resposta viria nas considerações finais do Secretário de Infra-Estrutura da Bahia, Antonio Carlos Batista Neves, não hesitando enfatizar que o trecho da BA-001 em referência será executado no governo Jaques Vagner. Mais uma então e registre-se; as outras promessas não passaram de retóricas baratas de políticos à cata de votos. Sim, eis outra área que requer estudos ambientais acurados e, pela imperiosa necessidade da rodovia, do equacionamento.  

Fora (e será sempre) de suma importância, claro, mas acredito não ter acrescentado maiores conhecimentos ao público, em especial no tocante a operacionalidade do complexo portuário, às vantagens, desvantagens, conseqüências ambientais e outros pormenores, porquanto uma discussão que estava prevista não se dava, devido, não diria literalmente por arribada, mas pela saída prematura e inoportuna de umas das figuras chave da audiência.

Embutido a geração de mais de 10 mil empregos diretos e indiretos, o projeto governamental como anunciado, pode ser visto como revolucionário, todavia não é na tora, no grito, no atropelo como antes – e a Bahia foi exemplo desse modelo administrativo –, o caminho; e não me parece mais combinar com a realidade atual.  

As partes do litígio (e todos elas nos representam) podem com os espíritos desarmados, o equilíbrio prevalecendo sobre o emocional, sentarem-se a mesa e, na avaliação do custo/beneficio, na cedência do possível, encontrar a solução. E todos nós agradeceremos.

E aí? Como evidente, o impasse está na localização. Mas como Ilhéus é todo um encanto!...