CONCEITOS
 

Ao conceito que brasileiro adora falar mal de seu próprio país a ponto de considerá-lo um dos piores, o contrapõe o de achá-lo mal educado e enraizado de maus costumes.

Num e noutro com um pouco de esforço pode-se perceber os seus pivôs: os governantes ( ou os, e maus) no primeiro e o povo no segundo.

Como possuo defeitos que não acabam mais e ando metendo o cacete nos mandatários que por tabela recai no país e vice-versa, me considero incluído em ambos.

No fundo, no fundo, eles se completam. Por exemplo: se ao fato de ainda convivermos com a exploração de trabalho escravo e trabalho infantil (que diretamente atinge o governo em Brasília), e eu criticá-lo, de modo natural sou enquadrado no outro, porquanto, jamais como brasileiro mal acostumado e sem educação, haver contribuído  um tiquinho assim para evitar esses crimes.  

Meter o malho em governantes é tranqüilo, porque, como os macacos, a gente não olha pro rabo. Por acaso, como cidadãos, nós procuramos cumprir os deveres de casa e o nosso comportamento ético dá moral chegar junto aos representantes? Será que nunca andamos por aí aplicando o famigerado “jeitinho brasileiro” e aplaudindo o “rouba, mas faz!”, conhecidíssimo método administrativo do político brasileiro? Isso sem dizer de outras tantas e tantas identidades nossas, como o CPF – a Comissão por Fora –, jeitinho versão funcionário público à cata de uns trocadinhos a mais.

Fica claro não incorporarmos a figura do cidadão, aliás, longe disso; e são tantas as más ações praticadas que necessitaria de bom espaço para uma listagem exclusiva! Abro o parêntese para incluir o outro lado da moeda: igualmente abunda maus exemplos de quem deveria dar bons, o governante.

Viu como esses conceitos se entrelaçam? Daí é fácil manjar que o “falar mal” do inicial se relaciona com a oculta     “desigualdade   social”      – conseqüência dos

acentuados problemas estruturais do país, realimentados pelo voto de um mal educado como eu, você, enfim de nós o povo, a políticos que são no mínimo, corruptos.

Mas nem tudo está perdido. Transformamos os indigestos “mal”, “maus” e “piores” atuais em seus opostos e fim de papo! Fácil, não? Cá de minha cômoda condição de falador – e exercendo neste instante a cidadania que permanentemente deveria –, diria que com uma mudança radical (ou pelo menos, meio) em nosso modo de agir por via de uma Educação com o é maiúsculo (como o subentendido grafado), conseguiremos.

Diante dos protagonistas, os “dirigentes” e “nós”, me interrogo quem deve encampar a culpa maior pelo surgimento desses abomináveis conceitos a uma nação.

Não é “puxar a brasa pra minha sardinha”, como orienta o popularíssimo adágio. Mas, de modo veemente brado estar fora dessa: o histórico nos dirá de um  “povo”, na sua melhor expressão, em tempo algum ter exercido o “poder político”, este, por excelência e de modo seqüencial foi exercido por uma classe diferenciada, e de inovadoras facetas,  as clamadas “elites”,  e detentora do   “econômico”, um fundamental poder.  

Absolutamente não há registros do povo no comando. Houve sim, várias tentativas, inúmeras revoltas inclusive, com esse fim, mas, abafadas. Lembram-se?

Como o bicho não é tão feio como pintamos e como é inegável nosso costumeiro hábito de exagerar na dose (dizem os antropólogos fazer parte da natureza do brasileiro), é evidente as nossas coisas boas, como Hospitais e Universidades, e de primeiro mundo! Entretanto, são essas “boas coisas” que me faz persistir em interrogações: Será que o brasileiro tem acesso a esses tipos de instituições, observando que a grande maioria deles possui  baixa renda?

Imaginava dar vez ao injuriado “pre” em lugar deles soltos, os “conceitos”, como atenuante e me precipitei na conclusão. Como sabemos, o povo há uns anos conquistou o poder... Sim, a da última interrogação está em aberto!