QUE PAÍS É ESSE? |
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Nosso estudante, um dos deportados no recente episódio da Espanha, ao desembarcar de retorno não titubeara em abrir a boca: “Volte para o seu país de merda”. Palavras da autoridade imigratória madrilena.
Obviamente esse não me parece o modo mais civilizado de atender estrangeiros, nem brasileiro nem de outra nacionalidade. Sobre o caso a diplomacia espanhola daqui se manifestara que os banidos não portavam a documentação exigida para ingressar na União Européia, mas fora categoricamente rebatida por eles.
Ao impasse criado, não pude deixar de meter o bedelho e logo supus, na minha maneira barata, que o procedimento do fiscal tem tudo a ver em ele achar que desejam transformar a nação espanhola num bordel. E defendo o raciocínio porque, como se sabe, a máfia – em estilo castelhano – não hesita no aliciamento para o país ibérico de mulheres brasileiras à prostituição.
Depois imaginei o policial querer botar banca e vincular o país dele, de área relativamente pequena, o fato de ser classificado como o 2º destino do mundo no ranking turístico (contribuindo com 12% do PIB), enquanto o dos candidatos a imigrantes, embora com todo um imenso e belo território, jamais haver ultrapassado o estado potencial.
Outra hipótese advinda foi a de que comprovada a sociedade brasileira como uma das mais desiguais do planeta, decorrendo em conseqüência debandadas de brasileiros em busca de oportunidades em outras paragens, o espírito patriótico ter superado a razão e o cara optado por resguardar o pão dos patrícios. |
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Se o embaixador espanhol reafirma a legalidade do ato discordando inclusive da idéia de se desculpar com as nossas autoridades, em contrapartida a redeclaração do proscrito soou de forma contundente. Então em quem acreditar? Juntando as dificuldades normais e em geral de um educando e o “modus-operandi” nada exemplar da maioria dos nossos políticos e dirigentes a “re-contaminar” a sociedade, não descartei a possibilidade de nosso cidadão em situação emergencial ter dado uma de migué e apelado para o “jeitinho brasileiro”.
E não deixei de enfocar se o agente, consciente de seu país dar de goleada em termos sociais no nosso – ou seja, da Espanha ser desenvolvida e o Brasil ainda continuar emergente –, imbuiu-se da lógica do maior poder, e tenha jogado duro e fim de papo.
Ora, vejam só, não é assim não bicho! Nessa quase me passei de vez ao esquecer dos protocolos internacionais, das relações diplomáticas... E já estamos tão distanciados dos bárbaros, e eu na de retomar tempos babilônicos ao incidente diplomático!
Mas cai na real! Não é que acertou na mosca, atingiu a ferida! Pois é, fiquei convencido de que o encarregado da fiscalização entende e muito da gente e deve saber da existência de dois Brasis entre outras coisas; e naturalmente de que político brasileiro ojeriza, por não gerar voto, obras de infra-estrutura (em locais pouco povoado “Deus me livre!”), e em especial de esgotamento sanitário. Portanto, sabedor de que boa parte da população da pátria do futebol e do carnaval convive com esgoto a céu aberto, quis no mínimo quebrar o argumento das nossas excelências e tome “país de merda”. Claro, num eufônico “portunhol” para que os ermanos peninsulares há muito radicados aqui e já enraizado culturalmente – e nunca importunados –, também entendam. |
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