O MANGANGÃO

Senhores prefeitos e edis do território sulbaiano: Muita atenção para a geração de impostos, contrapartidas ambientais e para as oportunidades que surgirão ao seu município, porque daqui em diante os investimentos choverão. Doravante redobrem o cuidado na fiscalização contra agressões da natureza e, honrem o cargo para o qual em eleições se propuseram; nada, ouviram bem, do uso da máquina pública em proveito próprio.

Nada não, é o preâmbulo do discurso de um imaginado “mangangão” do governo por ocasião da efetivação do PAC do Cacau. Vendo aí! como o cara é fictício, a Região continua, como óbvio, em ponto morto aguardando a marcha ser cambiada pra frente, pra segundo, terceira...  

Formalidade na expectativa, a euforia agora é com a implantação de outro porto (o de Campinhos em Maraú está em ritmo de espera secular) que, pela sua propalada finalidade, já é conhecido como “Porto do Minério”. Na trilha da propaganda também um novo aeroporto e, de volta, a antiga discussão pela instalação da ZPE –Zona de Processamento de Exportação, obras  previstas para a zona norte da cidade de Ilhéus. Na do porto, devido à aprazibilidade da área escolhida, a Ponta do Ramo, e por se configurar ao mesmo tempo projetos turísticos de envergadura, criou-se uma polêmica danada em torno da viabilidade ou não de ações econômicas diferenciadas.    

Vôo ao encontro do bom-senso e, ele me orienta que em caso de haver  dupla necessidade como é o do Porto-Turismo, o recomendável é jogar as cartas na mesa e: esperar que num país enquadrado entre os de significativa grandeza econômica, seus dirigentes já tenham alcançado um bom nível de consciência patriótica e saibam separar o joio do trigo.

Enquanto aqui na Capitania as boas intenções permanecem em fase das boas intenções, na zona itapebiense pelo menos é dado como líquido e certo a construção pela iniciativa privada, de duas usinas termoelétricas: uma na própria Itapebi, outra em Eunápolis.

E não se trata   de blábláblá   não, pois a aprovação no

Ministério responsável e o veredicto no Diário Oficial com protocolo e o escambau saíram nas gazetas e em outros meios de comunicação, e outra: estão projetadas para o início de junho deste ano (custo de 200 milhões de reais cada) e para gerar 136,4 mil quilowatt cada uma, o equivalente ao abastecimento de uma cidade de cerca de 100 mil habitantes. Inicialmente queimarão óleo combustível de navio que deverá chegar pela BR-101 e futuramente pelo Terminal Marítimo de Belmonte.  Adiante, o mineral, em consonância com a preocupação ambiental, será substituído por óleos vegetais, com prioridade para o de Dendê – importante pelo potencial regional da cultura e em particular para o entusiasmo do engenheiro químico ilheense Hernani Sá, um dos pioneiros no país na pesquisa desta oleaginosa na produção de combustível automotivo.

Do empreendimento é possível se deduzir que além da geração de empregos ele pode motivar com a venda de energia, seu objetivo, a vinda de empresas de variadas matizes, contribuindo assim para o desenvolvimento da Região. Produto que o governo federal supostamente por uma política de motivação estratégica – ligada à escassez de água pluvial nos reservatórios de hidroelétricas –, já é, sob acordo, o principal futuro adquirente da produção.

O babado para as bandas da ex Pedra Branca e adjacências tem lá suas razões: quando se falou na instalação de uma Hidrelétrica no Jequitinhonha, não deu outra, aconteceu; na Veracel (o que pese a mudança radical do endereço Marília/Belmonte –local da fábrica – para Eunápolis sem explicações), do mesmo modo, a fabricação de celulose é uma realidade. A indagação é se os gestores municipais desse domínio territorial ocupam condignamente os espaços criados!

Diversificar os investimentos, para não acontecer municípios capengarem, seria o justo, mas certamente o “plano” governamental deva atentar nesse sentido, não só para o Sul como para a Bahia inteira.   Bom, como a questão da insegurança – em todos os aspectos – parece ser congênita no Brasil (a exemplo do recente roubo de documentos da Petrobras), foi vazado que o “mangangão” voltará desta feita em carne e osso para confirmar as promessas, e já com uma tese em pauta de não hesitar na contundência de cortar os “esperados benefícios” de municípios de gestores que tomarem carapuça.