CONVERSÕES RADICAIS |
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Tentarei entrar na seara de duas frases que, pela notoriedade dos autores, se tornaram famosas e dispensa comentário, são elas: “esqueça o que escrevi” e, a mais recente, “prefiro ser considerado uma metamorfose ambulante”. E intrometer-me na visão de um não menos notório personagem brasileira.
Considerando-as num e noutro momento, das vozes roucas das ruas ( plagiando o senador Ulisses Guimarães), “Traidores!” foi a palavra de ordem dos cidadãos e, uma assemelhada “Pô! Foram eleitos pregando a salvação e depois negam tudo!”, de complemento.
Não faz muito o ex-ministro tucano, renomado economista, e um “americanista” de sete costados, Bresser Pereira, contrariando a implacável transformação das celebridades em foco, guinou de vez para a esquerda. Pois é, o homem evidenciou, diante da fraqueza das eleições (baixa participação popular) dos Estados Unidos, e da firme superação e evolução do bem-estar das populações dos países asiáticos, sua descrença na nação norte-americana como “farol” do mundo e afirma não ser este país o mais democrático e nem socialmente o mais progressista, ademais, abomina a resistência estadunidense às iniciativas de cooperação mundial como o Protocolo de Kioto e a Corte Internacional Criminal.
Os três deram uma guinada de noventa graus. Os primeiros usaram a altura do muro, o modo indireto para dizer de suas posições à direita, o terceiro não, expõe direta e claramente a convicção e se põe ao lado dos preocupados com as questões sociais.
Um aspecto nosso, de nossa cultura, é considerar um cara de personalidade, sério, o indivíduo mantedor de uma opinião, seja em qual circunstância for. Mas isso é controvertível se compararmos o agora com o pensamento dominante de épocas mais remotas, quando o conhecimento das ciências, tanto das sociais quanto das físicas, era embrionário. É mole aceitar, por exemplo, o Estado – esse de poderes bem definidos e |
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por vezes corruptos devidos ações nefastas de homens “entre aspas”! – nascido de um “contrato”, e o sentido de “propriedade” – esse da essência capitalista – por alguém ter cercado um terreno e anunciado ser o dono?
Daí a dedução de que, em um nível mínimo de civilização, não se pode viver de maneira estanque, ao contrário somos envolvidos por um eterno processo de mudança, e em sociedade. O conhecidíssimo Capitalismo, como outro exemplo, que evolui desde outrora, já esteve no topo, soberano, senhor de si por aí afora, mas conseqüências de inevitáveis contradições e determinando o “filé mignon” só para poucos, sofre revezes e já não está mais com essa bola toda. Viu o doutor Bresser na virada da casaca? Aqui com a gente, por fomentar à solta as desigualdades foi alcunhado até de “selvagem”, redundante para alguns “experts” no assunto, por entenderem da própria natureza do sistema.
Ia divagando no blábláblá. Sim, o ex Ministro de Estado, como numa teve a decisão final em mãos, conquanto louvável o seu atual sentimento, dispenso outras considerações. Com suas excelências do “poder supremo” não, o caso é mais grave: à parte tons diferentes, um e outro, antes de eleitos bradavam fazerem o possível e o impossível para transformar a nossa sociedade numa mais cooperativa, mais humana, mais igualitária e, como lógico, em serem os cabeças dessa revolução.
Radicalmente mudaram o ponto de vista. Sob o impacto, como todo cidadão comum não poderia deixar de radicalizar: “Isso é uma perfídia”, concluía. Adiante, levando em contas a ordem natural das coisas, das mudanças, e o existente efetivo –suponho – encontrado por eles, me concebi precipitado na conclusão. Só que, ainda hoje continuo a matutar se no Brasil o desconhecimento da “realidade” por parte de candidatos a Presidente é convencional, ou, tudo é como o nosso monárquico Carnaval – e que adoramos! –, em que o negócio é os reis momos sempre reinarem lá de cima, e os palhaços sempre brincarem aqui embaixo! |
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