ACELERA REGIÃO!

Pelas veementes promessas oriundas dos homens do governo, federal e estadual, expostas nas gazetas e em outras mídias, desta vez a economia da Região Cacaueira da Bahia desemperrará.

Depois do disse não disse no Senado, envolvendo o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, que a Ceplac estaria na lista de desmantelamento, e da mobilização – embora tímida – de nossos políticos e entidades, desaprovando suposta afirmação, a síntese: Lula, o presidente da República brasileira, virá aqui em dezembro assinar o Plano de Aceleração do Crescimento, plano este que, devido sua singularidade, já é conhecido como PAC do Cacau, e dos 2,4 bilhões de reais previsto de liberação em 8 anos, trezentinhos milhões logo de piquete à disposição.

Tudo bem que “reformular”, ao invés de “acabar” como rolou por todo território regional, seja a palavra de ordem, mas que se apresse em pisar fundo no processo de dinamização da instituição ou, se deixe que, motivado pela condição de um órgão paralisado e desmotivado, permaneça a situação esdrúxula do funcionalismo se rebelar contra a implantação de um “ponto eletrônico”! Abandonada a inoportuna idéia oficial da extinção, e prevalecendo a lógica e o bom senso, ela deverá, com a experiência de 50 anos de labor (com suas distorções e erros como natural), conduzir as almejadas ações que deverão desenvolver o agro-negócio da Região.

O equacionamento da alargada dívida dos produtores como noticiado: é também prioridade do Plano. Aí se de um lado na evolução da cacauicultura, a liquidez do produto haja coadjuvado para desacelerar a “hereditariedade do cacau” de uma mentalidade empresarial mais aguçada, e o risco numa economia de mercado deva ser contabilizado, o que leva a “descapitalização” ao questionamento, por outro, os equívocos da Ceplac no combate à Vassoura de Bruxa, conduz a uma necessária e imperiosa solução governamental.

O secretário de Agricultura,     Geraldo  Simões  observa

que a região apesar de anos e anos de crise ainda consegue produzir 100 mil toneladas de cacau e empregar 14% da mão-de-obra rural baiana, preservando de lambuja a Mata Atlântica; então nada mais justo, esse significativo aporte, de muito carecendo tanto da parte da União, como da do Estado.

Projeto industrial da fábrica de chocolate, dendê para bio-combustível, seringa para pneumático, etc., etc., infra-estrutura, ecoturismo, etc., etc., no projetão da salvação, me fizeram lembrar o ex-vereador de Canavieiras, Justino Melo, um entusiasta e incansável sonhador pela ligação rodoviária desta cidade com Belmonte, projeto de governos e governos baiano nunca saído da prancheta. Quem sabe Justino se dessa vez as eufêmicas Costa do Cacau e Costa do Descobrimento serão ligadas e doravante, com o blábláblá da potencialidade concretizado, haja a distribuição e não fique mais só no turismo de uma cidade!

Com Ilhéus, a vista o novo Aeroporto e o Porto reparado e aperfeiçoado na jogada do PAC, são sinais contribuintes para um salto econômico diversificado na Região com conseqüência na geração do emprego e da renda.

Que as antigas promessas jamais concretizadas não contaminem as atuais e como dantes, como uma insistente urucubaca, só naquela de badalados festejos de pedra fundamental.

Aliás, quando à revelia de já prontos levantamentos e estudos (na Ceplac abundam), vejo surgir propostas de comitês, reuniões para marcar reuniões, fico com a pulga atrás da orelha e pressentimento de ter visto o filme antes. Na gestão tucana, FHC saboreando cacau in natura e sorvetinho de frutas da terra, sobrevoou a impotência da Região, prometeu solução pra isso pra aquilo, fez promover as tais comissões para levantar dados e dados e... deu no que deu!

Decerto estamos em outra, e não é pessimismo não! Mas para quem de muito calejado, e coerente com minha incerteza de início, mesmo enchendo-me de entusiasmo, vou ficando com São Tomé!