PELOS CAMINHOS DA AFAI

À referência da placa e conseqüente desaceleração do buzu, logo me achava no planalto itapebiense, na Cidade Alta, como hoje é chamada a outrora Pedra Branca da Bahia e da beira do Jequitinhonha.

A urbe fervilhava de alegria. Por quê? Porque naqueles dias de 12 a 14 de outubro ali estava se materializando um encontro, um encontro de confraternização de filhos e amigo da cidade com moradia em outras paragens, mais que isso, se firmava uma iniciativa que poderá ficar gravada para a posteridade, pois se assentara a pedra fundamental e de bate-pronto, alicerces de uma entidade preocupada com as questões sociais e motivada em exercitar a filantropia com os mais carentes da comunidade itapebiense, enfim, estava surgindo a AFAI –Associação de Filhos e Amigos de Itapebi.                

Para uma Região – Região Sulbaiana em geral – em que a cooperação, o proceder associativo, o pensar coletivo, nunca foram o forte, ao contrário, evoluiu sob uma égide de individualismo, onde em decorrência campeiam precários e históricos níveis de vida na maioria da população, essa proposta diferenciada, de procurar enxergar a dificuldade do próximo e de abrir-lhe o caminho da solução, sem dúvida alguma irá de encontro e impactará uma mentalidade ainda vigente.

Há alguns anos na capital baiana, um itapebiense teve uma idéia e contou pra um outro, que contou pra outro... , “que contou, contou... que contou...”, como observa a poetisa Neuzamaria Kerner e, da corrente crescente, olha só no que deu!

Foi assim que Delfino, Armando Lapa, Emilio Suzart (proclamado Presidente Executivo em assembléia), Cobi, os irmãos – radicados em Brasília –Milson (responsável pelo projeto estatutário), Marivaldo e Mozart (pelo artístico, inclusive com logomarca de inspiração singular), que o Moacir – e seus polêmicos e indispensáveis questionamentos pelo êxito da nascente agremiação –, o Darcles – e a força substancial junto à Petrobrás –, e outros e outros, conseguiram atingir o estágio atual e, conquistando confiança, fizeram convergir mais de trezentos filhos da terra de quase todas as partes do Brasil.

A alvorada com o desfile da filarmônica Quinze de Setembro, a “missa em ação de graça”, o “Vídeo Institucional” emocionaram a cidade. E não faltaram as

opções da “Cidade Histórica”, da “Feira de Cultura” do “Circuito Petrobrás de Cinema Livre”, não podendo deixar de ressaltar a visita a Usina Hidrelétrica Itapebi, empreendimento da Neo energia que, represando águas do Jequitinhonha, considerado de baixo impacto ambiental, e gerando energia para cerca de 1,5 milhões de residências, representa um marco impulsionador de progresso para Itapebi, Região Cacaueira e todo Nordeste Brasileiro.

Como ninguém é de ferro, quem lá se encontrava para prestigiar, foi o filho – e ilustre – Eugenio “Xangai” Avelino, o homem da “brasileirança”, apresentando um belíssimo show. E outros filhos como a cantora Débora Vasconcelos e seu bonito vozeirão e o harmonioso trio Silvana, Silvany e Sidoé. Também a banda “Água Viva” com emocionante repertório dos anos sessenta e, o da sanfona mágica, Targino Gondin, comparado ao grande Dominguinhos.

Findado o evento peguei os panos e, curvei para Belmonte. Há certo tempo sem transitar por aquelas bandas, deparei-me de saída – embora sabedor –, com algo diferente: a imensidão de plantios de eucaliptos dominando a paisagem. Seguindo adiante, a imponência da Veracel, a fábrica, localizada no ex-povoado de Marília (para mim território belmontense, portanto não conformado com o empurrado neófito endereço – e a desigual compensação financeira e outros benefícios legais ); desponta então o Rio Preto, local da instalação do Terminal Marítimo, escoadouro da celulose fabricada. Daí pra frente, como numa guinada, a exuberância do verdejante coqueiral, e marcas de robustos projetos de hotéis e pousadas a dominar o cenário e a anunciar a inserção, através do capital estrangeiro, de uma nova atividade econômica para o município, o Turismo – tão somente no aguardo do necessário ajuste pelas garantias da preservação ambiental, aliás, consciência que, por imperiosa e absoluta necessidade, parece cada vez mais ir se incorporando ao setor empresarial, além da simples venda de produto e serviço.

Aí chegando, a satisfação da notícia de que os conterrâneos e cacauicultores belmontenses, Marcos Mello e Marcos Guerrieri, inspirados no sucesso da AFAI, pretendem, em trabalho organizado de pesquisa, resgatar a memória e historiar os “desbravadores do Jequitinhonha na implantação do cacau”.

Salutar, revolucionária contaminação! – concluí à exultação.

Que assim seja!