FICA A INTERROGAÇÃO

Meio à efervescência da crise financeira na maior economia do planeta, uma brasileira no vizinho Canadá, cheia de auto-estima e de malas prontas para retornar, disse convicta “Eu ainda acredito no meu país”.

A dificuldade de profissionais qualificados brasileiros em encontrar trabalho no rico país canadense mostrada no telejornal da Globo da segunda-feira passada, me passaria como normal se, no final da matéria não surgisse a tal expressão. Um tanto ufanista, sei lá. Reflexos de novos tempos ou, nas entrelinhas, mais uma decepção de  imigrado  brasileiro na América próspera? Fica a interrogação.

Afinal, a questão da procura de cidadãos brasileiros por países desenvolvidos para ganhar a vida, não é novidade; que digam os nossos valadarenses. Só que tomar lugar de nativo naquelas bandas e viver com dignidade por lá, é uma barra: é o caso da reportada, uma experiente economista que no Canadá teve que virar faxineira e, uma vez frustrada, resolvera voltar e apostar em seu país. Sim, como a maioria dos imigrados fica na ilegalidade, o retorno pra casa é, via de regra, o caminho da  deportação.

De cá, às vésperas de receber homenagem e discursar na assembléia da ONU, o Presidente Lula, à convulsão econômica dos ianques, não hesitara em brincar com o “Estou quase construindo um muro para não deixar ultrapassar o Atlântico”. Pra quem está com a bola cheia de uma aceitação popular nunca vista,  ser hilário é um direito. Evidentemente o que poderia pegar mal, jogar água no humor presidencial seria a do ‘lucro fácil no setor imobiliário dos americanos’, se tornar – como mais um capricho do capitalismo – no fac-símile (vamos cruzar os dedos) da fatídica  “Quinta-Feira Negra”  do final dos anos 20 do século passado.

Então,   como   essa   ‘quinta negra’  ficou  na história e

contaminou o resto do mundo, possivelmente algum assessor mais chegado ao Presidente lhe anteciparia com uma provável  “Por decreto isso não pode Excelência!”. Mas gostei dessa do “muro” e, aproveito o ensejo para, na qualidade de desejoso de um Brasil realmente cidadão, fazer uma sugesta: não estaria na hora da construção também de uma “cercazinha” ( vá lá de madeira; legalizada, lógico) no  sentido de impedir os nossos compatriotas da forçada imigração para outras plagas? E ouso  completar com uma dica: que no cercado se implante, com os usuários já dotados  de competência,  uma geração de Emprego ainda com mais força; se crie  um Sistema de Saúde qualificado com atendimento de  graça pra todos e; idem, idem uma Educação desde a base. Pronto, esses três itens depois de uma boa  misturada são  suficientes para o resto  surgir de forma natural, e, com certeza absoluta, doravante nenhum terráqueo ‘cabralino’ terá dúvidas do país onde nascera.

Como transformar uma nação não depende tão somente de seu comandante supremo, e como se aproxima o momento solene de elegermos prefeitos e vereadores destinados a gerenciar mais de cinco mil células-mãe do território verde-amarelo, permitam-me, pois, mais o adendo: escolha os seus e vote. Mas  cuidado com a propaganda porque com ela todos são lícitos, bons administradores, bons legisladores, todos possuem caráter ilibado, todos têm projetos para sua cidade. Se a parecença política lhe causar confusão, vá pelo número do partido. Aliás, outras representações partidárias literalmente sumiram da praça. Ah, a ‘bandeira’ não, aparece sim de montão nos comícios e carreatas!

Bom, esforço de seleção à parte, só me resta torcer que o próximo ato cívico de ir às urnas, sirva para dar a cada eleitor a consciência de haver contribuído em mudar a realidade de brasileiros “cair fora” da pátria amada e, no campo particular,  de ajudar com uma força a imigrante economista  no seu sentimento.