DEU EMPATE NO FINALZINHO

Tentei mudar o tema, mas diante dos fatos de nossa política a pipocarem, resolvi continuar.

As ações  são um tanto tragicômicas e os pitacos surgem como o direito de opinar de todo cidadão, portanto, nada mais profundo, querer chegar à raiz é questão  para especialista, crítico ou cientista político; o possível é que pela abundancia dos casos, eu até já, como num processo osmótico,  me aperfeiçoara  um pouco no assunto.

Desta feita estava em jogo o furor por arrecadação do Governo e a liberdade de ele gastar no ano seguinte até 2011, 20% do chamado Orçamento da União como bem entender. 

O Congresso representado pelo Senado dominava a partida. E como a demonstrar o seu poder em um Estado democrático, botou as mangas de fora.  Se a Câmara não se impôs e ficara abaixo da crítica com a opinião pública, aqui em nosso terreiro a revanche com certeza será nossa.  Evidentemente com a sentença soada dentro de um estilo acadêmico e segundo os rituais exigidos – não tão grosso modo assim –, e, como manda a normalidade parlamentar: em conformidade com o sentimento coorporativo além das fronteiras das sessões senatoriais. Dentro delas, matéria de inter-relação dos pares e tantas outras, apesar de suposta prudência devido à “melhor idade” dos membros, se assemelham às da vizinha da concha convexa.

Contribuindo para não se tornar mais um dos acontecimentos imemoriáveis – mesmo que o tempo não tenha nada a ver, e contrarie a maioria dos nossos políticos – vale a lembrança de que há pouco tempo o seu presidente insistindo em permanecer no cargo – embora abundassem os argumentos de quebra de decoro parlamentar –, deixou a Casa também com a reputação extremamente abalada. E sobre as polêmicas e badaladas siglas CPMF e DRU, razões do embate entre os manjados times do Governo e da Oposição – e destes pitacos naturalmente –, o histórico aponta os tucanos – na primeira administração Efé Agá –, com forte coadjuvação do DEM (Os  Democratasde    hoje    e    que    já   foram   udenistas,

arenistas, pedessistas e pefelistas), como sendo os arquitetos dos dois mecanismo.

Na época os petistas desconfiados de tudo foram radicalmente contrários a esses artifícios de fácil captar e fácil gastar dinheiro. Nem o apelo do então ministro, o médico Adib Jatene, para salvar a calamitosa situação da Saúde Pública, sensibilizou-os.

Será que prognosticaram? Na verdade o governo tucano enganou a torcida no momento inicial e logo, quase nada do dinheiro a mais desembolsado pelos contribuintes – ou seja: nós, o povo – foi canalizado para a finalidade que expôs à nação. A Saúde ficou foi a ver navios!

Quando no auge da peleja o Presidente se identificou como uma “metamorfose ambulante”, a princípio fiquei assustado, em seguida passei para o lado daqueles que entendem que mudar de opinião não significa trair convicções, e sim, evoluí-las. À memória: o mandatário anterior procedeu semelhantemente, lembra? E depois o dinamismo da vida nos orienta que estamos em constante mudança desde que nascemos, aliás, desde o órgão uterino. .

No lado do poder, sentindo não se tratar de nenhum sistema de Cooperação,  e ao contrário, convencido e um brabo Capitalismo, o Chefe  tratou de artificiar um jeito de manter a grana para investir na cura da enfermidade do País. Tudo bem, Capitalismo é Capitalismo Presidente! Não cabível é a permanência da doença no paciente com o Hospital já sob nova direção! E, ser mutável e imutável à custa das “conveniências”, fica difícil para o entendimento dos adeptos da coerência!

O time do Congresso ganhava facilmente a partida, de repente nos bastidores do Estádio das Ilusões, as lideranças das duas agremiações – Governo e Congresso (no caso o Senado) – num lance de fazer inveja a qualquer conchavo entre  NIKE e CBF, arrumam um famigerado  “acordo de cavalheiros” e, nos minutos finais acontece um surpreendente empate. 

Lógico, as duas equipes saíram para o abraço da galera, e eu, como parte dela, motivado a escrevinhar mais um capítulo de nossa política, ou, como querem os radicais, de nossa politicagem.