INTERNACIONALIZAÇÃO VIRTUAL

Ao recordar incautas passagens do país, costuma afirmar em arroubos patriótico o amigo Fernando Del´Rei, ‘o Kojak’, que a nossa salvação é a Amazônia.
         Kojak, como filho e pelo ardor em defender Castelo Novo – distrito aqui da Capitania dos Ilhéus – é conhecido como seu embaixador. Como antigo funcionário, outra sua inquietação é com a situação da Ceplac ser dentro dos  limites ilheense e possuir endereço de Itabuna. À aberração, como se referi ao trocadilho, ele se diz com renovada disposição para procurar os novos representantes políticos das duas cidades, a fim de uma solução.
         À diplomacia e à inquietude do estiloso detetive à grapiúna, darei um tempo, mas vôo, ao encontro da opinião. Como da Vitória Régia só entender mal, mal, via literatura, busco ajuda de lá e de cá na semelhança ‘ainda’ climática e, sigo em frente a expensas do vento.  
         Logo acho o Arkhos Biotech: suposto laboratório da área biotecnológica que ano passado na internet defendeu a privatização da Amazônia como única saída para preservá-la, causando aquele reboliço no Senado!  Assistir ardorosos parlamentares partidários do ‘privatismo’ de repente se tornarem convictos  estatizantes, foi o maior barato. E mais: punição ao culpado por tão herética notícia de desnacionalizar o solo pátrio, ficou sendo a palavra de ordem dos outrora, privatistas! Mais tarde descobriu-se tratar de uma espetacular jogada de marketing do guaraná Antarctica, baseada na chamada técnica da realidade alternativa de um vídeo-jogo. Hilário, esse mico, não?
         A idéia da Amazônia como terra de ninguém, não parava por ai: paralelo à ‘inocente’ marqueteira propaganda, pescava-se também na rede, um tal livro didático e geográfico, adotado nas escolas estadunidenses    em que  inseria   em   suas páginas a

Região Amazônica – e  de quebra o nosso Pantanal –como área internacionalizada. Resumindo: a Geografia adotada nos currículos escolares dos  EUA  ensinava  para os meninos de lá que o nosso território e os dos países vizinhos, eram uma   ‘casa-da-mãe-joana’. Conversa de pescador ou não, o fato é que não é de agora o olho grande das potências desenvolvidas  na grandeza da Floresta, em especial nos 60 por cento da parte brasileira. A cobiça por ser um celeiro de riqueza que vai de minerais a pesqueiro, de biodiversidade ao escambau, tudo em abundância, tem uma razão: a consciência da dependência que esses países têm por esses recursos ( já quase esgotados ou inexistentes em seus domínios) para continuarem ricos e potentes.
         De súbito uma tempestade. A aeronave fica sem teto para pouso e sobrevoa a floresta. Mesmo assim, no esforço, os inúmeros focos de queimadas, as imensas clareiras causadas pelo desmatamento, dão uma visão incrível. Sem condição de baixar, o comandante anuncia o retorno. Em seguida usando a tática de amenizar a frustração dos passageiros, a comissária expõe uma verdadeira aula de Amazônia: Depois de dizer da biopirataria, de ONGs nem sempre de acordo com os interesses da comunidade regional, da invasão de empresas estrangeiras e brasileiras ávidas de lucro, do “patrimônio da humanidade” como pretexto para a sua internacionalização etc., etc., finalizava afirmando que embaixo estava a jogada estratégica para um Brasil realmente independente e, um marco para o ‘desenvolvimento’ de todo o continente sul-americano.
         A bordo, rumo à estação Atlântica do resto Sulbaiano, me veio refletir a convicção do nosso investigador castelense e, concluía em concordar. Com um adendo, claro: Nada de gafes em plenário assumindo o desconhecimento do óbvio e, para as demais autoridades brasileiras, o alerta de que a internacionalização virtual já está virando uma realidade.