E CHEGAVA A CONCLUSÃO
 

         Ao estilo ambicioso dos EUA, inconformado, eu costumo em qualquer oportunidade, meter o cacete.
         Um dos argumentos dos seus defensores é o de que o pobre deles vive melhor e é menos pobre do que o daqui. Certamente, mas o que me leva ao ato incivilizado das porradas, embora de palavras, é, como disse, a sua ambição desenfreada e a insanidade de se auto-determinar como exemplo de perfeição
         Duvidar de sua potência econômica, jamais, mas daí um modelo singular a ser seguido, constitui um exagero sem tamanho que os norte-americanos competentemente, para o resto do mundo, sabem alardear. Basta para contrapor o descabimento, o desastre que sempre provocam a outras economias do planeta, como na famosa Grande Depressão de 29, e hoje novamente com a crise financeira, a repetir a insensatez da confiabilidade no liberalismo de mercado.
         A prepotência, o princípio de levar vantagem em tudo tal qual a lei do Gerson, as invasões destruindo soberanias nacionais simplismente pelo lucro de todas as matizes, são outras facetas combinadas do país ianque, não sendo à toa a alcunha de povo mais belico do mundo.
         Por essas e outras a convicção continuava inabalada quando, a leitura dias atrás do belo artigo “Obama: a realização do sonho de Luther King” do teólogo Leonardo Boff, me conduziu ao pé da reflexão. O texto, entendi, destaca a individualidade governista como o conseqüente modo de agir da nação norte-americana. Num trecho ele diz que “Bush criou o

terrorismo de Estado, constituindo-se no maior perigo para a humanidade”. Noutro, destacando uma descabida crença do caráter de excepcionalidade dado por Deus ao EUA para reger o mundo e acreditado por Bush e Reagan, introduz de John Mc-Cain, o adversário de Obama: “Os EUA são o farol e o líder do mundo. Podemos agir como bem entendemos: afinal, somos o único poder da Terra. Os inimigos de ontem e de hoje hão de entender o nosso porrete”, frase de conteúdo imutável e absoluto do candidato derrotado americano que vem ao encontro da razão do inconformismo do simples mortal tupiniquim aqui, passível de transformação como todo ser humano normal.
Já pelo título percebe-se no articulista, o projeto de loas ao presidente eleito, e a afirmação “é preciso mais do que tudo dialogar; a saída é uma ampla negociação e não apenas ataques aéreos e matança de civis”, de Obama, se realmente diferente da fórmula eleitoral made in Brasil, é a indicação de uma proposta radical de mudança na maneira de pensar dos dirigentes da Casa Branca. 
         Aflorava então em mim a necessidade de rever os conceitos com relação aos norte-americanos, de não ficar só naquela de infalíveis cacetadas no geral, sem um maior refletir. Já pensou com a fama que os nossos políticos têm de corruptos, os povos de outras nações acharem que todo brasileiro é corrupto, que o Brasil é por natureza, corrupto? Seria o fim da picada.
         E chegava a conclusão que tanto lá como aqui, uma doença virulenta e muito perigosa, acomete os governantes, e tão somente os governantes. Lá a da ‘mania de grandeza’, aqui, a da ‘corrupção’.