E NOTE E ANOTE
 

O tititi já corria solto quando o majestoso visual do Palácio do Paranaguá da Capitania dos Ilhéus, aproximado pela teleobjetiva do repórter, na telinha –noticiário da noite e em nível nacional –, confirmava o ocorrido.
         Entretanto nada salutar para o símbolo da prosperidade da Região do Cacau. O destaque ao famoso prédio de título nobiliárquico ao contrário do que poderia de imediato ter intuído os telespectadores, representava mais um abalo de extrema magnitude para toda uma região, porquanto, após a luminosidade provinda dos flashes à fachada do imponente edifício, a escuridão tomava conta do ambiente com uma invasão à mão armada.  
         Eis então o lance: em doze de novembro deste ano de dois mil e oito da era cristã, a Polícia Federal, cumprindo ordem judicial, iniciava uma varredura na Região Cacaueira da Bahia, com mais de cem mandados de busca e apreensão de documentos e outros bichos, por diversas práticas de fraudes ligadas a prefeituras. E de acordo as notícias uma “organização criminosa” vem fraudando licitações públicas há no mínimo sete anos por essas bandas, e que nesse período nossas Casas, onde por princípio se encubem de gerir o município (ou, deixando claro: administrar a grana do povo), teriam desviados mais de 26 milhões de reais dos cofres públicos, oriundos de convênios com alguns ministérios.
         Dentro das quatro linhas do contorno do outrora glorioso torrão ‘sulbaiano’,  sobre os da política,  comenta-se forte que ninguém dorme de touca. Não é à toa que Chico do Bar de Zequito, em homenagem aos nossos envolvidos diretamente com a ciência de Platão, não hesita em cantarolar o conhecido verso “Se gritar pega ladrão...”!

         Não sei se no tom do excepcional Bezerra da Silva, mas que neguinho aqui dá nó em pingo d´água  e consegue fazer calango andar em meia-marcha, são poucas as dúvidas. Engraçado–se se o termo é permitido   –   é  que  o  nome  dessa  operação  policial

chama-se Vassoura de Bruxa, tal qual, anos atrás, o da doença desfiguradora de nossa economia. Hoje a situação se agrava porque o arraso (não confunda; é na velha acepção mesmo da palavra) atinge de cheio a moral regional.   E o aberrante é – tomara não virado praxe –que como políticos e homens públicos, mandantes, portanto, as ‘distintas’ autoridades parecem ironizar o país, visto a pilhagem ter se dado em áreas básicas e essências como a da saúde e educação, que são determinantes para acendermos da condição de eternos subdesenvolvidos.
         Vergonha, amigo, mas é isso. E note e anote: não somos os mestres. A rapaziada do Sul embora seja boa de pelota, é amadora e os gramados não ajudam, e em vista disso às vezes apela, enquanto os lá de cima com campo sempre nos conformes, ‘plano’, são cheios de catimba, de manha, e até entrar de sapato ‘alto’, como se diz –sem rimar –na gíria do futebol. Na verdade esses são profissionalizados e aí já viu, esnobam de calcanhar, dão de trivela... E acrescente-se: são tão conscientes da importância de seu papel, que viraram ícones para os daqui.
Como a desaceleração do crescimento econômico da Região, está a olhos nus, se popularizou em qualquer canto, a exceção de um ponto de luz ali e acolá, ela ser chamada de “terra do já teve”. Lógico e evidente que a referência cabe aos tempos da fartura do fruto de “ouro”, porque não faz muito, um “A Bahia vai bem”, rolou solto para tentar enganar e acalmar a torcida. De mais breve e de concreto só “pedras fundamentais” assentadas com testemunhas de discursos empolgantes. Menino! Se essas pedrinhas realmente rendessem... Mas nem sequer sinal da Belmonte/Canavieiras (Eta estradinha dura de sair!), companheiro! E ainda querem é desativar o aeroporto da nossa principal cidade!
Mas é isso aí, enquanto aguardamos cansados na fila um reportar televisivo mostrando reais benefícios para a Região Sul da Bahia, oriundos do estado baiano e da União, profissionais de lá e amadores de cá, a essa altura do campeonato já entraram novamente em campo.