SERÁ QUE MUDAMOS? |
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O dinheiro oriundo do cacau foi muito importante, não resta à menor dúvida, para os 28 municípios de maior concentração desta cultura, a chamada Microrregião Homogenia Cacaueira da Bahia.
Terra de coronéis, de jagunços, de histórias de riqueza sem fins, mas lá pelos idos de 1977, Selem Rachid e Maria Palma, ao publicarem a Geografia da Microrregião Cacaueira, eles puseram em xeque a crença da abastança generalizada ao afirmarem em última análise, o seu subdesenvolvimento.
Tida como filé mignon, não se faz necessário ir muito longe para se deduzir que os outros 61 municípios do complexo cacaueiro –a Grande Região Cacaueira da Bahia –se enquadravam tranquilamente nesse estado, além de terem sofrido –todos os 89 –, segundo trabalho do próprio Rachid um ano anterior, um processo distorcido da “posse da terra”, o que justifica a famosa “muita gente com pouca terra e muita terra com pouca gente”.
Naqueles tempos, o indicador da terra prenunciou a negação dos demais. De lá para cá lá se vão mais de trinta anos, e ao encará-la de frente, com o espírito desarmado para não cair na do ufanismo, eu levanto a questão: Será que mudamos?
A construção de estradas, opção do governo federal em detrimento de outros meios de transporte no final da década de 50, atingiu de cheio a Região, provocando a falência do seu setor portuário. As cidades marítimas sofreram então um revés nunca visto: o porto era a sua principal atividade geradora de emprego e uma irradiadora da economia. E para acachapar o sonho do “Eldorado” do Cacau, a maldição da “Bruxa” acabou de dilapidar as minas de “ouro”.
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Os sequentes abalos foram evidentes, mas em compensação a economia vem, embora não seja na intensidade necessitada, se diversificando, com destaque para o setor secundário onde se nota a implantação de algumas indústrias a exemplo da de celulose. Mas será que a Educação, a Saúde, o Saneamento Básico, a Infra-Estrutura e outras bases essências evoluíram de maneira a alcançar uma melhora significativa no bem-estar geral da comunidade cacaueira?
Levando em conta que uma sociedade não pode ser avaliada pura e simplesmente por parâmetros econômicos, fica aberta a discussão. Bom exemplo de contradição é São Francisco do Conde aqui pertinho na Bahia, que tem o segundo maior PIB per capita do Brasil e em paralelo os munícipes convivem com índices sociais decepcionantes, significando a inexistência de uma distribuição da renda adequada.
A se notar pelo número de carros (até dos de luxo!) e por outros produtos de consumo conspícuos, aparentemente a Região deu um passinho pra frente. Possivelmente, sei lá, efeito da modernidade e da mãozinha da evolução tecnológica no mundo! Não, não, em qualquer circunstância ela foi assim, nunca perdeu a elegância, e não podemos esquecer a sua condição de esnobe por excelência. Bom, como é grande a quantidade de municípios, para se tomar conhecimento de como anda atualmente tratamento de esgoto, de água, Nível de Alfabetização e outras referências que os políticos só conhecem de discursos, evidentemente só com uma análise mais acurada. Ah, sim, o realce de uma ali outra acolá é comum, mas tem uma provada por á mais bê, a da Distribuição de Renda que, façamos justiça, sabe manter a aparência tanto faz aqui na Região Cacaueira como no resto do país. Tinhoso esse indicadozinho! |
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