JÓ PENSOU NISSO?
 

Um domingo desses, eu ligo a televisão e me deparo com um repórter do Fantástico em estiloso pronunciamento, afirmando ser mentira o Arkhos Biotech, o laboratório que andou pregando a privatização da Amazônia como solução para salva-la do desmedido desmatamento. A inverdade se debruçou em seguida sobre um didático livro de geografia que nos EUA teria integrado o currículo de suas escolas, e que dava aquela área, com ilustrações e o escambau, como um território internacionalizado, ou seja, não pertencente a país algum.
Os dois casos rolaram na internet e já deram muito que falar, inclusive pelo escrevinhador aqui. O primeiro, para quem não se lembra, foi aquele que fez o nosso Congresso Nacional de famoso pelos seus picaretas e assemelhados, se transformar de repente em casa de nacionalistas. Descobriu-se mais tarde tratar-se de um bem elaborado marketing do Guaraná Antártica. O do livro escolar também deu pano pra manga, e segundo se noticiou, muito trabalho às nossas autoridades diplomáticas. Não sei da conclusão, se falsa ou verdadeira; o recente anunciado é por conta da rede global.
Nadinha contra e é uma boa o furo da Amazônia não ter sido ensinada aos meninos estadunidenses como um território sem dono, entretanto não deu para engolir, o embaixador dessa pátria americana –possivelmente chamado para referendar e enfatizar a matéria –dizer que os EUA sempre agiram com referência àquele precioso torrão norte brasileiro e adjacências, em consonância com suas comunidades. Bonzinhos os americanos (entenda-se: governo)! O adido só faltou complementar para a nação brasileira e o resto do planeta que eles não têm nada a ver com o conflito de israelenses e palestinos, e que Guantánamo é uma colônia sofisticada de férias para turistas idosos! Ou então só posso deduzir que o convívio diplomático no planalto brasiliense tenha deixado o funcionário de Bush  espertíssimo  e,   dando pra perceber   –   com   a

aproximação da transição presidencial –o  cheiro de uma nova política no ar, não ter hesitado em tirar uma de macaco, conforme a receita local. E por falar na mudança para Barack Obama viu como o cara é canhoto até no escrever? Esperança, amigo, esperança de relações internacionais mais justas. Pelo menos na opção entre as guerras e a paz, esta deverá ser priorizada e, fomentada. E se levarmos em conta a nossa condição de supersticiosos por excelência, outra observação: o homem tomou posse em 20 de janeiro, dia consagrado a São Sebastião, prenome do Rio de Janeiro e o seu padroeiro, além de louvado em outras cidades brasileira, a exemplo daqui da Capitania dos Ilhéus, onde é festejado com procissão, samba de roda, fogos e lavagem de escadaria de igreja. Sim, a moral da história é que o santo é tido como protetor da Humanidade contra a fome e a miséria.
Como o dirigente da Casa Branca conta com tamanha proteção e com a vantagem de pertencer à tribo dos ‘Democratas’ (os de lá) menos sujeita ao credo do mercado, como a dos ‘Republicanos’, os búzios em conformidade com nosso sincretismo religioso, já antecede – apesar de Ku Klux Klan, da crise econômica (criada e exportada por eles) e de outras barras pesadas a enfrentar – a previsão de dias melhores; para o mundo, claro.
Até já me vejo novamente diante do aparelho, mas desta feita a assistir a um cenário de valores fantásticos. Agora os canais não precisam para ganhar pontinhos no ibope, de ninguém de nomeada tentando justificar o injustificável. Olha lá, neste instante mesmo é um embaixador de um dos nossos muitos morros, iniciando uma explanação, veja: “Meus irmãos brasileiros, como representante desta favela, tenho a grata satisfação de anunciar que, com a firme cooperação dos Estados Unidos nós conseguimos dela extirpar o tráfico de drogas, a violência, a prostituição infantil. Posso afirmar sem subterfúgio, como vem acontecendo em outras tantas comunidades faveladas: Aqui jaz a miséria...”. Diga ó da poltrona! já pensou nisso?