PACTO NÃO |
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Pacto não porque me remeteria a compromisso inadiável e até a uma inconsequência para um mutável como eu, aliás, é da natureza humana a mutabilidade, mas é que havia me proposto (proposto a mim mesmo, para não restar dúvida) dar uma pausa ao assunto política, principalmente ao made in Brasil.
Embora a corrupção esteja ligada ao meio político faz muito, no entanto naqueles tempos a grande parcela da população ficava alheia às notícias desse tipo, possivelmente por serem incipientes os nossos meios de comunicação. Na Bahia, por exemplo, o jornal da capital levava dias e dias para chegar ao interior. Estivesse eu vivenciando esse período, de não ficar a par do cenário político, confesso, fácil cumpriria a idealizada vontade.
Pois é, como falar mal da ‘classe política’ havia se tornado quase uma obsessão em mim, foi necessário colocar lado a lado emoção e razão e daí refletir se eu não estava cometendo ingratidão com os nossos ‘dignos’ políticos. Para ajudar na meditação coloquei em pauta a evolução da democracia e por tabela a da transparência e concluía ter o nosso representante político amadurecido e assim ficado cônscio de sua responsabilidade. Ledo engano companheiro. Não é que, parecendo querer gozar com minha consciência, estoura o corregedor –e vice-presidente –da Câmara dos Deputados como acusado de possuir um castelo em Juiz de Fora construído à base de falcatruas? E anote que é de botar no chinelo alguns de verdade do Velho Mundo! Mas o estarrecedor, o de tirar qualquer um do sério é sua excelência, ‘o Corregedor’, afirmarnão ser da obrigação dele julgar os colegas, demonstrando desconhecer – entre aspas bem
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proeminentes antes que se incorpore ao novo ajuste ortográfico e desaparecem –a principal atribuição de seu cargo.
A recente divulgação na mídia do admirável orçamento de mais de 6 bilhões de reais e dos fabulosos salários de seus servidores, com direito a isso e mais aquilo, revelando uma mordomia sem precedente, deixou o Congresso Nacional mais uma vez de calça curta. Para um órgão pelos inúmeros e famosos casos de corrupção e pela falta de decoro de expressivo número de seus membros, detentor de uma imagem –por muito que as duas emissoras de televisão com a apresentação de bons programas, tente limpa-la –, desgastadíssima, essa do deputado reviver a Idade Média esnobando uma residência do tipo senhorial ou real, foi o fim da picada.
Nada contra a riqueza de quem quer que seja desde que construída de maneira lícita, mas aqui pra nós, um luxuoso ‘castelo’ em Minas Gerais, estado por resolver a pobreza do Vale do Jequitinhonha, e em um País que os ‘sem-tetos’ constituem-se um problema seriíssimo, não dá realmente para engolir! E o “cidadão” já estava fantasiado de Corregedor, cara! Em boa hora, em ato não tão corriqueiro da Casa, os seus pares o orientaram a pedir o boné. Comentam más e boas línguas que o ilustre a fazer doravante o papel de magistrado cameral, apesar da relativa pouca idade, possui a qualidade de ser astuto, de falador como ninguém, de saber enganar mais a torcida do que o ex-colega, e de ter a vantagem de haver saído de uma competente escola que defende ardorosamente o ensinamento de não vacilar na ‘bandeira’ e no rastro.
Ora veja só, indo e indo, ficou provado que pacto para mim seria mesmo uma contradição.
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