O JEGUE-BIS, UMA ALTERNATIVA

À aproximação de cinco de outubro, dia da escolha de prefeitos e vereadores por esse Brasil afora me veio que, não faz muito –a República já estava instalada –, o mesário presidente ao preencher a ata de véspera, fraudava assinaturas e uma eleição, e hoje, mesmo parecendo inacreditável, o sistema eleitoral brasileiro é considerado o mais seguro, o mais rápido e o mais moderno do mundo. “Eleição de Bico de Pena” (outras foram notórias como a do “Voto de Cabresto” no tempo do Coronelismo) era como se chamava aquela fraude, comportamento que galgou terreno e chegou incólume aos dias atuais, o que aclara como se deu a evolução do poder político no Brasil.

O vício robusteceu-se com autonomia de instituição e se impregnou no poder econômico e no dos militares, explicando o surgimento dos tribunais eleitorais nas decisões de regulamentar, administrar e julgar todo o processo eleitoral, o que, embora seja evidente o progresso na contenção do dolo, há quem  julgue essa concentração de poderes, meio ilógica para o apregoado regime de governo brasileiro.

A exclusão do voto por procuração e a da do calcado no privilégio da grana,  somado à conquista da mulher, do analfabeto e de outros seguimentos da sociedade; à da ‘urna eletrônica’, refletem sem restar dúvidas, um avanço considerável, mas, como ontem, a fraude eleitoral continua viva, apenas tomou  assento em outros aspectos. E um deles é o chamado de ‘marketing político’, em que se é capaz de transformar, por exemplo, o  candidato tímido em extrovertido, o  triste em alegre e, o terrível: o mau em bom, e aí se inclua, sempre de fartura, os com culpa no cartório com  ilícito  dos  brabos, convertidos como num passo de mágica, em cidadãos dignos e honrados, e  até na fachada de um    piedoso  ser  humano.   Ao  lado  desse   hodierno

artifício, assentada em poltrona especial e com status de primeiro ministro, se destaca a ausência de uma Educação de qualidade, um princípio sine qua non que interromperia a nossa perpetuada miopia na escolha dos representantes. Nesse contexto o voto do analfabeto poderia sim, ser uma incongruência: se o nosso Estado Democrático o isentasse de tributos, de impostos, e, se o pior dos analfabetos não fosse como já dizia o poeta alemão Bertolt Brecht, o analfabeto político! Ora, só eu saindo da contradição! Fica claro que com um nível qualificado de educação, tanto o letrado como o não-letrado não estariam aos punhados enquadrados assim! Decerto nesse rol, poucos, e, como natural, o voto não traria a conotação da obrigatoriedade. Sim, e caberia tranquilamente a concessão aos dezesseis anos de idade. Sendo a tecnologia nos pleitos eleitorais um fato consumado, portanto nada havendo de incrível, e, como essa excelência tecnológica não exclui o político corrupto do alcance do poder, quero crer que estamos mais para uma situação surrealista, como é do conseqüente efeito, a de o País bater recordes na produção de alimentos, de possuir medicina de Primeiro Mundo e, continuar evidenciando  brasileiros aos montes morrendo de fome, morrendo ainda de tuberculose e de lepra.

Enfadonho seria enumerar outros estados afins, a exemplo do – surreal, claro! – caso aqui na Capitania dos Ilhéus em que as autoridades aéreas brasileira  (do setor aéreo, entenda-se) dão na telha de fechar de repente –sem nenhuma anormalidade contundente desde sua inauguração – o Aeroporto Jorge Amado, o que colocaria em polvorosa a economia e a população da Região Cacaueira, já baqueadas por outros golpes. Boquiaberto com tal iniciativa o humor popular para amenizar o stress, não titubeou em idealizar o ‘Jegue-Bis’, uma alternativa de transporte baseado em tempos remotos.