PROCURA-SE UM REMÉDIO PARA CALOS |
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Não fiquei pasmado não porque já estou calejado, no que corrobora comigo Pedro Simon ao afirmar um dia desses em entrevista recente que “o escândalo está banalizado”. Percebeu? É isso aí. Para quem conhece o terreno onde pisa desde outros carnavais como o senador, estas palavras são suficientes.
Não, um reparo: embora concorde plenamente com o caráter sintetizador destas palavras, e as “poucas” (atualmente “muitas”) e “boas” de nossa outrora digna Câmara Alta já não me causem mais assombramento, continuo sim, acreditando exercer um pouco o dever de cidadão, com o meu protestozinho. Aliás, fazendo parte o Senado Federal de um governo, me veio refletir, pela cara do Brasil de hoje, se é justo ao do passado, assegurar-lhe dignidade e honradez; depois recorrendo a relatos –sem levar em conta as chamadas vantagens contadas pelo vencedor –percebi a conferência de um certo pudor aos que representaram a Casa. Desta forma opto não mexer em minha calosidade, aceitando de bom grado a conduta atribuída aos antigos senadores.
Sim, e respondia a respeito de mais um ato indigno praticado pelo Senado sobre uma grana preta (mais de seis milhões de reais) encaixada nos contracheques dos seus servidores em janeiro, quando na verdade ninguém trabalhara. Não bastasse os salários de fazer inveja a executivo norte-americano de primeira linha antes da crise, agora mais essa famigerada doação oriunda dos cofres públicos. Para um país, de visível desequilíbrio a favor do capital, uma graninha a maior no bolso –claro, da remuneração do trabalho, para não se cair também na leviandade! –não seria em absoluto nada de mais. Acontece que, tirando as caridosas “cestas” e “bolsas”, por muito que o governo se propague voltado para o social por excelência, e o
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presidente acredite até na utopia de uma sociedade sem classes, na prática o que se observa no próprio quadro das instituições públicas, é uma contradição terrível, com uma gama remuneratória salarial para umas, e outras em completa pindaíba.
E o mais intrigante é que ao se procurar dos responsáveis uma explicação, o que se ouviu foram, para estarrecer o mais excêntrico cara-de-pau do planeta, argumentos dos mais esfarrapados e evasivos. Não faz muito o senador Jarbas Vasconcelos tirou dos cachorros e colocou no seu partido o PMDB. Mas como “partidos” aqui são meros trampolins para –ressalvem-se raros e louvados –candidatos conquistarem privilégios, o parlamentar, apesar da repercussão –devido à cumplicidade de seus pares –causada, apenas enfatizou e endossou o óbvio. Na Câmara dos Deputados o que se vê de mais notável, é o troca-troca de partido, com exclusivo objetivo de benefício pessoal. E como mostram as evidências, os “respeitáveis” senhores e senhoras (confira as aspas) com as honradíssimas exceções a exemplo do parlamentar gaúcho, só não adotam essa atitude com a mesma intensidade dos colegas da casa vizinha por uma única razão: ser o número da representação do Senado bem menor que o da Câmara, e assim dificultar a camuflagem de mais uma falta de decoro. Se não fosse isso...
Se acontecimentos como esses, são do ponto de vista deles, considerados, como deu pra se entender, banais, e até legais, no mínimo, no mínimo a moral pra eles já perdera todo o sentido. A ética nem se fala. E veja que é uma instituição possuidora, dentre outras prerrogativas importantíssimas, a de processar e julgar o Presidente da Republica.
Pois é, infelizmente pelo andar da carruagem, o remédio para a cura dos meus calos vai ser difícil. |
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