AO AMIGO DE PEDRA BRANCA

.

Adaptar uma barraquinha em cima do ralo de umbueiro docentro do Rio de Janeiro e fazê-la de sanitário para descolar uns trocados em pleno Carnaval é sim criatividade pra ninguém botar defeito. Foi a conclusão, amigo Corbiniano , de seu recente e-mail, não esquecendo da espirituosidade do carioca, qualidade que sem nenhum puxa-saquismo, é igualmente um atributo do baiano. E olhe que é pra deixar, em tempo de crise como este, o nosso empresariado de água na boca!
Falando em crise, acho que esta classe poderia dar uma ajudinha, mas de antemão devemos tirar o cavalo da chuva. Também seria complacência negar a culpa dos governos. Olhe o tamanho dos tributos! Só que ao reclamo empresarial amigo, a contradição está claríssima porque como se sabe no frigir dos ovos é sempre o consumidor quem paga o pato. Outra contradição do nosso capitalismo em minha opinião é essa misturada empresarial com o contrabando e outros descaminhos, emperrando uma sua essência, a concorrência. Viu aquela poderosíssima entre aspas butique de São Paulo? Eu julgaria isso tudo paradoxal se uma de suas lógicas não fosse a expansão do lucro a qualquer custo. Outra coisa com o sistema (aqui extensivo a outros países) que fico encabulado Cobi(será doravante pela intimidade o tratamento ao amigo), são eles, os empresários, os grandes naturalmente, pregarem a torto e a direita o livre-comércio, o liberalismo econômico, mas indo a vaca pro brejo como vem acontecendo, quando estoura um desajuste como esse dos EUA de esculhambar economias pelo mundo afora, se escalarem de imediato para pedir clemência ao Estado.
Você que nos anos 90 foi gerente do Econômico aqui na Capitania dos Ilhéus, bem entende do riscado. É só uma empresa ou um banco, por mau direcionamento, pender à bancarrota, pronto: seus donos não hesitam um tiquinho em apelarem para o socorro estatal. Percebeu quanto deu de blábláblá um xixizinho improvisado?Esperando que este tratado barato sobre

economia não tenha enchido sua paciência, mudarei de assunto. Como a nossa origem é lá das bandas do Jequitinhonha, é “gente do Jequitinhonha” como diz o nosso presidente da AFAI (a Associação dos Filhos e Amigos de Itapebi), Emilio Suzart, me veio à lembrança lhe perguntar se há algo de novo a informar sobre o sumiço dos peixes? A pergunta procede porquanto recentemente a respeito ter ouvido comentários, e não faz muito, dado no jornal que a escassez do produto, partido dos pescadores daquela região, era devida os resíduos celulósicos da Veracel jogados em seu leito. Rapaz, eu não sei não! São tantos os órgãos públicos e privados ligados ao meio ambiente e à preservação cultural, mas no final das contas parece nada evoluir. Eu jamais tive nesse sentido conhecimento se estão cuidando da aldeia Patiburi de Belmonte, que com a daqui de Olivença são as duas remanescentes dos índios tupinambás!
Pois é, caro Cobi, agora nós temos a certeza e podemos afirmar que xixi na rua não ocorre somente no interior, como o de nossa vivência. Como hoje estão na moda os chamados banheiros químicos em ocasião de festa, à ocorrência deste fato numa capital, a gente só pode deduzir um inadequado planejamento, ou então possivelmente um hábito de um dos formadores primitivos de nossa cultura. Aí em Salvador mesmo Cobi, você que mora na metropolitana de Lauro de Freitas, o soteropolitano, ou melhor, o próprio baiano (de ambos os sexos, se diga) é retado para fazer um xixizinho na rua. Quando se aperta, não tem essa de cerimônia não! Veja bem: apesar da colocação no presente me refiro a um costume da Soterópolis de antigamente, da de um pouco pra cá de quando se chamava Bahia; depois da arrumação do Pelourinho, etc., etc., você que está pertinho é quem vai pesquisar e desvendar se esse nosso procedimento ainda persiste ou não. Mas como planejar no Brasil é uma instituição para ocasiões festivas e, olhe lá! Não leve a mal essa de pesquisa, é apenas uma brincadeira.
Diante do alongado, termino com um abraço ao amigo de Pedra Branca.