PRUDÊNCIA

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Nunca o velho ditado popular “Nada como um dia após o outro” com relação a dois acontecimentos a meu ver fora tão assertivo.

O primeiro diz do FMI, o famoso Fundo Monetário Internacional que, diante de qualquer empréstimo concedido, ditava, seguindo um tal plano de metas, a política econômica brasileira, se alheando de estar lidando com uma nação de população visivelmente carente. O conceito social este, da ciência econômica, era esquecido por completo; para o Fundo só valia os números ou então mais valia os números.

Com efeito, a essa notória gestão paralela, das ruas, sonoros “Fora FMI!” surgiam; e lá estava o candidato Lula fazendo coro e abrindo alas ao protesto; reprovação muito justificável porquanto jamais o dinheiro injetado na economia resultara em benefício da sociedade

Hoje, como a chamar a atenção da expressão, a cuia vai parar em mãos contrárias. Não vê como Lula presidente, anda esnobando ao dizer que quer entrar na história como o primeiro Presidente da República a emprestar reais ao Fundo!? É isso aí Presidente: um credor é um credor, e fim de papo!

O outro é a quebra do estorvo econômico dos Estados Unidos a Cuba anunciada por Barack Obama. É ou não é um anúncio para deixar o mundo boquiaberto? É só lembrarmo-nos da trajetória da Ilha –da independência aos imperialistas governantes norte-americanos contra-revolucionários –, para concluirmos como um momento impar –sobretudo humanista –na história das Américas. E lógico: um reforço à minha segunda visão junto ao referido brocardo. Todavia o passado de agressões dos 

Estados Unidos leva o Comandante, com suas razões, a colocar a barba de molho –no da prudência, claro! –, o que não impede de eu aqui de camarote, achar conveniente retira-la da molheira e, fio a fio, oxigená-la com os ares dos novos tempos. A respeito da inconsequente perrengue Cuba x EUA disse recente a jornalista Mirian Leitão da Globo que tanto o embargo norte-americano quanto o regime cubano estão “esclerosados”. Neste caso me posiciono sem titubear a favor da eutanásia!

Deixando essa nossa contraditória situação de país rico e subdesenvolvimento de um lado, e o destacado desenvolvimento dos ianques de outro, a impressão é que o Brasil atualmente está mais respeitado lá fora. Ouvir do chefe da nação mais rica do planeta que nós temos o “político mais popular da Terra” e o “Esse é o cara! Eu adoro esse cara”, é ou não é mandar a gente aqui “jogar de sapato alto” ou “pisar em ovos”?

Diante do tamanho dos elogios eu poderia como brasileiro estar orgulhoso da deferência, mas do alto de minha maior idade e vacinado de carteirinha, vou ficando na moita. Aliás, minha prudente brasileirice adverte que não nos precipitemos. E completa: O Obama como se sabe é o “bicho”, mas aguarde, aguarde; deixe as palavras virarem ações. Acontecendo, aí sim, retribua à altura; você pode, por exemplo, agradecer à baiana com um “Vossa Excelência é realmente o mais “retado” do Globo!”

Ao nosso aclamado Presidente eu desejaria –embora tenha invertido nossa incomoda posição de devedor para emprestador num cenário de cobras criadas –que no final do mandato afirmasse simplesmente: “Meu povo: eu consegui concretamente minimizar a desigualdade social do País”. Confesso mais satisfeito à badalada transação monetária.