QUERER REMAR CONTRA A MARÉ
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Deu no noticiário que o nosso Poder Legislativo da esfera superior tenciona entrar de cabeça na prometida reforma do Sistema Político Eleitoral.
Para o cenário nada louvável do nosso Parlamento é uma notícia auspiciosa.
Como nobre é o pensamento, raro diante do habitual comportamento dos integrantes das duas Casas, é bom se tratar logo disso antes que o íntegro Senador Cristovão Buarque resolva – ao sabor de mais uma trágica e imoral cena dos seus componentes – reiterar sua proposta de plebiscito sobre o trancamento da porta do Congresso.
E como o caso requer urgência, urgentíssima, seria de bom alvitre os atores começarem a ensaiar de imediato o primeiro ato.
Dizem os analistas que a mudança em pauta fortalecerá e valorizará os Partidos Políticos, e no caso do eleitor um melhoramento na condição de acompanhar o seu candidato preferido.
O modelo do Sistema Eleitoral? Será bem-vindo outro qualquer. O atual é como um paciente com doença incurável no leito de um hospital sem receber assistência médica. Não dá mais, como exemplo, o cara lá da casa do chapéu pintar em tempo de eleição aqui pela Região Cacaueira a cata de voto e, com aquela conversa mole pra boi dormir, prometer que vai fazer a estrada Belmonte/Canavieiras (promessa de trezentos anos) e a outra Ponte Ilhéus/Pontal. Basta de tanta demagogia, enfim de tanta mentirada na enganação do votante. E tem mais: quanto o sujeito não é mais um neófito na política, ao contrário, já é um macaco velho tipo daqueles bons puladores, para conquistar a reeleição, ele não hesita na maior cara de pau em anunciar na promessa até verba assegurada. Abro um parêntesis para forçosamente dizer que ruim por ruim, prefiro o daqui.
Voltando ao foco plebiscitário do ilustre congressista, eu interrogo: Haverá alguma dúvida |
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quanto ao resultado da consulta popular? Em absoluto, não sou adepto nem estou fazendo apologia do quanto pior, melhor, como age quase todo vanguardeiro político brasileiro a uma derrota nas urnas, porém as diversas peças apresentadas, a exemplo da do “mensalões e mensalinhos” de ontem e a da “farra das passagens aéreas” de hoje, nos remete a uma conclusão líquida e certa: a da aprovação do fechamento. Entretanto, embora tenhamos de engolir a má representação parlamentar de todos os anos, o horrendo desfecho na eliminação desse Poder, não significa acredito, um desejo brasileiro a ágora dos gregos, tampouco o retorno de um regime ditatorial, mas apenas um indignado desabafo.
Por outro lado quando o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer, tão simplesmente anuncia que o “patrimonialismo” é uma característica da Política Brasileira e que os desvios de comportamento dos nossos parlamentares são históricos, evidencia a complacência com essa atitude. E parece querer remar contra a maré ao dizer “... que há um número mínimo de deputados que praticam atos inadequados...”. Então, é correta a continuidade histórica das excelências lá da cúpula Côncava e da Convexa brasiliense fazerem coisa que Deus duvida com o dinheiro do povo? A quem cabe finalmente cortar essas mazelas? Não Excelência, eu e toda a torcida do Flamengo sabemos que os “atos inadequados” são praticados pelos parlamentares em sua maioria. Evidentemente honrosas exceções ainda não se contaminaram, embora muito diferente do “número mínimo” defendido por sua excelência. Se assim fosse, se o grosso da representação se comportasse dignamente no cargo, não haveria obviamente necessidade de nenhuma reforma.
Qual seja a proposição aprovada, estou convencido como cidadão, da imperiosa necessidade de constar em seu bojo um artigo bem explicitado exigindo de todo representante parlamentar (em todos os níveis, claro), um ferrão mais aguçado na fiscalização do Executivo. Evidentemente sem a necessária firmação de acordos escusos... |
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