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“Foi cagada da seleção”, ouvi de um. “Qualé, não viu que fomos melhores?”, retorquiu o outro. Os dois rapazes papeavam na rua (para ser preciso, parados no ponto de ônibus do colégio General Ozório aqui na Capitania dos Ilhéus), e de passagem, deduzi se tratar da recente conquista de nosso selecionado de futebol em terras africanas.
Antes, alheio aos ocorridos, já fui um entusiasta torcedor canarinho, essa a razão da conclusão; hoje diante da trajetória de nosso futebol, perdi a vibração.
Investi algumas vezes na tentativa da reanimação, mas as lamentáveis lembranças da CBF (desde a antiga CBD) e o envolvimento de dirigentes de clubes me jogavam na lona de volta. Quando bem não se espera pipoca um caso. Não faz muito veio à tona o do Corinthians (este da famosa “Fiel”!), e ganhador – com mérito, se diga –da recentíssima Copa do Brasil, e dizia de penosas transações direcionadas para “lavagem” de dinheiro.
Fica difícil, portanto esquecer essas passagens. Quem não se lembra da chamada “Bancada da Bola”, uma CPI para averiguação da condução corrupta da CBF, descambada para a vergonhosa compra de parlamentares? E do celebrado contrato NIKE/CBF, tido como altamente lesivo ao futebol brasileiro? O não compreensível é o tratamento de “vista grossa” dada pela internacional FIFA a essas incautas ações, aliás, entidade também arranhada na credibilidade.
Vá lá que em vista da insistência do Brasil em sediar a Copa de 2014, passemos – embora não seja dignificante – a régua em toda essa história, afinal de contas, o futebol é comprovadamente uma paixão nacional. Mas valerá a pena o país sediar essa Copa? Os defensores são favoráveis porquanto movimentar a economia com |
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geração de emprego e renda, e entre outros benefícios a melhoria de um dos nossos pecados capitais, a Segurança Pública. Correto, e acredito nessas possibilidades, só que, elas são passageiras, efêmeras. Em nosso terreiro sempre demonstramos competência na tampadura de buracos, pondo à vista do mundo não se tratar de um paizinho qualquer. Lembra da Eco-92 como o Rio de Janeiro virou, como num passo de mágica, a cidade menos violenta do mundo? Com o Pan-Americano 2007, idem. Mas será que o carioca se transformou de um transeunte amedrontado num tranquilo, realmente?
Para a esperada Copa foram escolhidas 12 capitais sendo que em sete terão reformas de estádios, em cinco, construções de novos. É aí onde mora o perigo porque a fortíssima grana a ser envolvida, como óbvio, só pode ter uma origem: a do contribuinte, claro, o nosso. Apostar num aproveitamento útil dessas obras após a festança, mesmo em mãos privadas, à luz das experiências, é temeroso demais. Nas condições do Brasil, de carências sem-fins, essa nossa relação com esses eventos me parece, em tempos de salmonela, com a do ovo e o microorganismo: casca perfeita, interior, doente.
Voltando ao diálogo dos moços, percebe-se que apesar de ter ganhado, o primeiro, pelo palavrão, não estava lá tão animado com o time; achou o feito ter sido na base da sorte. O outro ao contrário, claramente declarava o otimismo e tudo a ver com a era Dunga. Como em toda democracia, estavam livremente a expor suas opiniões. Só temo que, jovens ainda, pelos exemplos de descasos dados pelos nossos representantes (veja o do Senado- só para citar o mais badalado no momento), com os problemas brasileiros, eles, na continuidade da formação, venham a se alienarem de vez e... E aí: casca de ovo e gema contaminada que se danem. |
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