365 IGREJAS

 

Com toda audácia do mundo pensei no ecumênico e... Bom, e aí juntas assumiriam declaradamente o seu lado político e fundaria uma ONG, uma espécie, melhor dizendo, de Pan-ONG religiosa brasileira, com a finalidade de ajudar o governo central e os estaduais a sanar as terríveis desigualdades entre os cidadãos  brasileiros.
No quesito Moradia, por exemplo, poder-se-ia para barrar a favelização, evidente nos grandes centros populacionais, elaborar projetos afins e, claro, correr atrás da “bufunfa” para a concretização. Com certeza o novo modelo de gestão propiciaria a geração de emprego e renda, além de estar evitando um sofrimento cruel a um fiel irmão.
Sim, como todas as outras necessidades são prioritárias, eu acredito que no início a grande dificuldade da futura Organização seria mesmo a de eleger a sortuda área a ser beneficiada. Para fluir, a sua burocracia (um dos males governamental) não poderá cair na de visão maniqueísta, e se achar o bem enquanto um eterno mal, a parte oficial. Considerando que o templo não é uma condição sine qua non para o ato de orar, e daí para fazê-lo entender (fazer com que o governo sinta) das boas intenções do neófito cooperador, será de bom alvitre o exemplo da trégua com essas construções, particularmente no iniciar da minimização dos variados problemas. Desta forma o lado governativo, político por essência, ao sentir-se pressionado pelas ações do não governante religioso, tenderia a eliminar as promessas, e como um milagre se conscientizaria que o agir, quando se deseja realmente o desenvolvimento da nação e de seu povo, é muito mais produtivo que o discurso.
Refeito da parada refletiva e já consciente, prossegui na audição do nosso famoso baiano.  

 

A ouvir velhas canções, do grande poeta-cantor Dorival Caymmi, me deparei com a “365 Igrejas”, aquela do final “a Bahia tem” num verso do refrão, lembra?
Então me veio parar para refletir. É, bicho, igrejas pra ninguém botar defeito! E note que o letrista se referiu a Salvador, porque era assim de Bahia o tratamento dado a capital. Já pensou se incorporasse as do resto, digo, as do interior?
Se bem que o estado da Bahia, por ser berço da pátria, deve ter introduzido –como subentendidamente enfatiza a letra com referência a uma cidade –essas construções em maior quantidade (aqui na Capitania dos Ilhéus temos a de Santana datada do século XVI), mas é inegável a força do catolicismo desde o início do processo de colonização em todo o território nacional.  
A respeito das edificações no avanço colonizador, rivalizaram (no bom sentido porquanto todos dotados de fé) os “terreiros” do Candomblé, e mais pra cá, efeito da reforma luterana, os chamados templos evangélicos, contando também com as mesquitas dos mulçumanos, sinagogas dos judeus, a dos espiritistas, e de outros de variadas seitas.
Aí é que entra o estorvo da reflexão. Nada de contra nenhuma crença, aliás, apesar de não me considerar fervoroso praticante, eu prossigo na da cristã. E de certa experiência posso afirmar que, qualquer que seja, é de suma importância na eliminação dos conflitos do homem incluindo os de ordens patológicas. Seria como o evocar do “pensamento positivo” e daquela conhecidíssima e convincente expressão: “a fé remove
montanhas”.  Portanto como essas religiões consideram o ser - humano centro das atenções e visa o seu bem-estar,  e em sendo o  Brasil  um país de  carências mil,  eu me interroguei se não chegara o momento de seus poderes hierárquicos superiores aprofundarem umaanálise nessa direção.