NO BAR

 

Provavelmente desconhece o parlamentar que o bar é, pois, como o Zequitos Bar aqui na Capitania dos Ilhéus, o recinto das mais plurais soluções para o país, como a do projeto religioso de Luiz Papa, a da volta ao poder dos militares de Raimundo Lá Vai Bala, assim como a de Manoel Filipe, com a da eliminação do Congresso Nacional do rol dos poderes. É num bar, portanto, em que o político, seguindo a máxima “quem não deve não teme”, pode avaliar a aceitação popular e sentir como vai indo a sua barra: “por cima” se recebe aplausos e cumprimentos, “por baixo”, se a tônica forem os apupos e xingamentos, e ainda o pior dos resultados, o desprezo. Então é ou não é o local ideal para um homem (e/ou mulher) público?

Deixar-se ao estado de mamado não é evidentemente o recomendável para uma autoridade nem para nenhum cidadão, agora, “tomar uma”, como a gente diz na Bahia, não significa a depreciação de ninguém. Que diria o deputado Geraldo Simões, presenteador (de fonte fidedigna) da boa caninha da Região Cacaueira ao seu compadre e presidente da república, Lula da Silva?! E Barack Obama, o ser humano mais poderoso do planeta, apreciador de uma cervejinha sem cerimônia alguma e sem nenhuma camuflagem?!

Indubitavelmente, o que não se deve num ambiente desse, é o membro do Senado, caracterizado de senador  (de paletó e gravata e cheio de mãos), pedir em alto e bom som ao garçom uma pizza para tira-gosto. Aí... Aí garanto com toda a minha experiência de frequentador de boteco, que os biriteiros – e eleitores! – presentes, irão achar o ato da escolha uma quebra regimental e, um tamanho esnobismo para chamar a atenção.

 

Mais uma vez, abusando, volto a bater na mesma tecla: a do Senado da República. E sabe por quê? Porque o usar da crítica para uma Casa onde a discussão é o seu motor, é normalíssimo, entretanto quando de sua Tribuna de Honra, um senador contundentemente mete o malho numa governadora de seu estado simplesmente por esta ser frequentadora de um bar... Bem, não precisaria dizer mais nada.

Mas prossigo. Era paraense (deu para gravar a origem pela TV da instituição) e meio ao sarcasmo aconselhava-a, para não ficar mal vista, que ela bebesse na residência. O pronunciamento de Sua Excelência se fazia tão humilhante que, num aparte, uma sua colega senadora, exigiu do tribuno a retratação.

Ora, possivelmente cometo nesse momento uma injustiça ao errar em não atentar para o fato de o orador está ali debatendo ideias, sendo um representante legítimo de seu estado. Outra probabilidade é a do senador, por um lapso no arrazoado, haver se esquecido da transformação da água em vinho por Jesus Cristo, e assim de que a questão do consumo de bebida alcoólica possui raízes divinas. Nas bandas do Brasil, por exemplo, sempre existiram figuras notáveis tidos como exímios “pés-de-cana”. Modernamente sobressaiu-se o controvertido Janio Quadro, de homéricos e excêntricos porres.

Cá pra nós, na qualidade de bebedor, fiquei foi também um tanto injuriado com aquela censura... Como é que o cara sobe na Tribuna (e de Honra!) pra falar de uma consumidora de bebida! Como mexera com uma classe de partidários no mundo inteiro, acho inclusive ter o senador escorregado feio, se se levar em conta a sua exposição como representante político.