COLOCADO AS MANGAS DE FORA |
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Do conhecimento de umas e de outras da Igreja, desde os primórdios do Império Romano, o amigo Luiz Papa, antigo cursilhista (do tempo do tabelião Sá Barreto) aqui da Capitania dos Ilhéus, não resta à menor dúvida que tem, mas essa de agora o deixara meio aturdido.
Acontece que dias atrás estourou na mídia que bispos casados da Igreja Anglicana estavam ingressando na Igreja Católica.
Casados sim senhor! Embora tenha havido conversão desse tipo há alguns anos, a atual se deu de modo sistematizado. Com a anterior, imperou-se a parcimônia, ou seja, levou-se em conta a prudência da observância caso a caso; com a recente parece que a iniciativa católica constituiu uma espécie de brecha, ou de um modus vivendi para acomodar dissidentes anglicanos. E a debandada foi de 30 a 50 bispos, casados, repito. Por quê? Porque a chamada Igreja da Inglaterra de uns anos para cá passou a ordenar mulheres e gays, e por conceder bênção a homossexuais – condicionantes, portanto da demanda.
Como efeito, no conjunto das duas igrejas está evidente um avanço, mas paralelo a um ainda intrigante reacionarismo. Veja bem: na anglicana está claro o não preconceito quanto à entrada de postulantes, já do lado de seus dignitários, como a defenderem uma “classe” superiora, rejeitam, senão a deles, peremptoriamente condições diferentes. Por sua vez, a Igreja Romana ao aceitar bispos casados se desnuda do rígido princípio do celibatarismo, demonstrando avançado posicionamento, entretanto, mostra uma visão coorporativa ao não permitir que os |
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bispos entrantes “casados” mantenham a hierarquia de antes, haja vista serem titulados de presbíteros.
Deixemos o sagrado direito de defesa de status quo pra lá, e enveredemos pela evolução da Igreja. Bom, aí, escondendo ou não, se sabe que distorções foram geradas, como a Inquisição entre outras e outras. A tais incongruências – mesmo o deixando um tanto abalado a “aceitação” do matrimônio nos moldes atuais – se rende tranquilo o nosso Luiz Papa, não se permitindo deitar-se na cama da hipocrisia às eternas e polêmicas discussões sobre religião. Desta forma, ao aceitar a natural tendência da natureza humana ao pecado, não controverte quando amigos como Nei Dias e Carlos Barreto (Borrachinha) contam do Colégio Salesiano de Salvador, ter existido um tal padre, chegado a catequizar estudantes a subir uma torre, a Torre do colégio, com o intuito do ensino de orações. Nem quando, tendo sempre como palco o tradicional Bar de Zequitos, enfático complementa Manoel Felipe da Hora: “Os dois contam a estória, mas negam que também subiram na Torre. É que atualmente homens feitos, ficam com vergonha de confessarem a verdade. Cadê a transparência? Ora, quem subiu, subiu. Mas isso não quer dizer que subam mais! Eu é que com toda a minha lealdade posso jurar que jamais passei por essa, porque estudava no Marista”.
Se não fosse o absoluto poder do rei inglês Henrique VIII lá pelo século XVI, com seus interesses e um estiloso jeito de misturar política e religião, que culminara na anulação de seu casamento à revelia do Papa, possivelmente essa controvérsia não teria vindo a lume, apesar..., apesar de que à época, a Reforma Protestante, já havia, dando muito que falar, colocado as mangas de fora.
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