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Como dois mil e dez do calendário gregoriano já chegou bonitinho faz tempo, e eu nada havia produzido – por faltar-me transpiração e mais ainda, a tal da inspiração –, o jeito foi apelar para o meu baú de literatice.
Notícias em voga, até que pensei em meter o bedelho na polêmica questão aquecimento (e recentemente, resfriamento) do planeta, ou embrenhar-me nas entranhas do Haiti e procurar entender do porquê de um país tão castigado pelo homem e pela natureza. Ah, não faltou, com o prato cheio da política brasiliense (se afanar dinheiro público couber nessa ciência!) na bandeja, a tentação de me envolver nesse tema, mas fiquei mesmo com uma prata da casa.
É que fuçando uns arquivos guardados no computador, me deparei com o nomeado “Museu do Cacau”, então, como havia escrevinhado algo a respeito, peguei a ponga e: é por aqui.
Trata-se da matéria “Moção de Repúdio” e subtítulo “Contra o abandono do Museu do Cacau em Ilhéus”, oriunda do r2cpress (o conhecido site de Rabat) e que em resumo reporta a III Conferência Estadual de Cultura ocorrida em Ilhéus entre 26 a 29 de novembro do ano passado, enfatizando o descaso da Secretaria de Agricultura estadual com o referido museu. Um documento contendo assinaturas, endereçado a esta secretaria com cópia para o IPAC-Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia pedindo a transferência do domínio do museu para a Secretaria de Cultura encerra a razão do título. Sim, encabeça o movimento a Federação das Associações dos Moradores de Ilhéus- FAMI.
Pois é, meti a mão e encontrei desgastadas, peças que em seu bojo aborda e coaduna com o pensamento atual: o literal abandono do Museu do |
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Inclua-se também, fazendo parte do contexto, a construção do “Museu do Antigo Porto”, iniciativa da UESC/CODEBA, que anunciava contar a história do antigo Porto, inclusive com site, livro e a efetivação de seminários. Sabe quando da promessa? Foi lá pelos idos de 2006. Não me lembro bem –e não grafei –se assentaram à tradicional “pedra fundamental” e se houve a costumeira festa com “trio elétrico” no ato da promessa, praxe da gente aqui da Bahia. Quero dizer: dos responsáveis pelo território baiano. Aliás, dizem as más línguas – e boas, ora! – que nós baianos gastamos mais dinheiro festejando promessas e inaugurações do que com o inaugurado.
Por falar em “promessas de governantes” não realizadas, estou com o saco cheio delas para colocar em minha modesta caixa de madeira. Dessas, o fundo do famoso “Baú de Zeleite” este, deve guardar um montão. Por sinal seria de bom alvitre se dele fosse puxada aquela anunciada por uma autoridade do governo em pleno Centro de Convenções (registrada em ata e o escambau) dizendo da Belmonte/Canavieiras, estrada de suma importância para o turismo e economia regional. Como essa ligação parece ter caído no esquecimento dos dirigentes do Estado da Bahia, agora anunciam bombasticamente a ponte Salvador/Bom Despacho...!!! Pode? Sem comentários.
É isso. Sob a boa vontade dos mandantes nós do Sul Baiano – e por tabela, da Bahia inteira – vamos perdendo a história e estórias da “Civilização do Cacau”. E de seu “fruto de ouro”, outrora, produtor, disseminador e multiplicador de riquezas, só parcas lembranças. Enquanto isso os apelos de ontem e de hoje pela preservação da história cacaueira, vão-se diluindo no modo brasileiro de fazer política. E os nativos e os turistas, oh! Esses vão ficando a ver navios.
Viu aí? Vira e mexe a gente, embora não queira, vai se envolvendo. Naturalmente começa a entrar na parada a “educação” política e, como tudo, dela depende...
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