O QUE VIER NA TELHA |
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Após
ficar atônito com a leitura fui me dando conta de conviver,
apesar dos pesares, numa democracia.
Trata-se de um e-mail recebido com um artigo que, por rolar
na incerteza da autenticidade da rede, prefiro ocultar o
jornalista.
Sem
entrar nos detalhes, o texto compara a ditadura de 64 com a
“ditadura” atual e, loas para aquela: Eis então o porquê do
espanto.
Não que não
haja concordado com os seus pontos de vista, em especial os
de condenar atitudes como a que ficara conhecida como a
‘nada sabia’ e as dos Zés entre outras esdrúxulas passagens
na nossa Democracia, porém, exaltar como uma excelência o
período dos milicos, entendi como um exagero na dose.
Eu,
no pipocar do golpe, bem jovem, estava mais para ‘futebol’;
da ‘movimentação política’ não entendia patavina. De bandeja
recebia as ocorrências, como uma que me pareceu hilária, a
da imposição do “Dada Maravilha” à seleção pelo Medice,
lembram? Na estrada do ‘ópio’, com o qual viriam muito bem
tirar proveito os ditadores, eu conseguiria, despertada a
consciência, conjugar as duas vertentes e com elas
entorpecer-me.
São
inegáveis no país, os níveis de crescimento econômico,
considerados históricos, na gestão dos militares, mas não se
pode afirmar daí um efeito na melhoria de vida do brasileiro
(o termo ‘cidadão’, antes do da nacionalidade, está
impossibilitado pela imperiosa incompatibilidade!).
Beneficiando somente a poucos, a política econômica adotada,
aquela de fazer crescer o bolo para depois distribuir, só
fez agudizar a má distribuição de renda e elevar a
desigualdade social. |
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Este é o resumo, a não ser que das
‘casernas’, aflore outras versões mais amenas; sem se deixar
de considerar a ‘propaganda’, poderoso artifício usado para
camuflar os problemas do povo e conduzi-lo a uma sensação
de otimismo generalizado. Quem da ‘era’ não se recorda do
“milagre econômico”, do “pra frente Brasil”, do “ame-o ou
deixe-o”, slogans que faziam pender qualquer duvidoso
ocupante do topo do muro? E que dizer das incontáveis
perseguições, demissões, torturas, desaparecimento, mortes,
impostas a brasileiros – e de roldão, inocentes –,
mascaradas na legalidade dos famosos AIs?
Como
o nosso ‘prato democrático’ – e como os do banquete
latino-americano – é preparado pela inconsciência de “chefs”
inescrupulosos, deixando um ranço insuportável que desagrada
milhões de comensais, possivelmente esta seja a razão do
nobre jornalista haver descambado para dignificar governos
de exceções.
A
utilização de censores pelos quatros cantos, fazendo parte
do sistema, deixou de ser segredo de Estado, o espantoso foi
a “autocensura” ter jogado de cabeça erguida no jornalismo
brasileiro da época. Esta é mais uma nada enobrecedora
versãozinha grassada que fora arrancada dos ‘porões’ e diz
muito da estatura de um poder.
Também me incluo entre os que condenam a Democracia ‘made
in’ Brasil, como as similares da América Latina, que não são
capazes de solucionar questões essenciais de ‘desigualdade’
e ‘pobreza’, entretanto, mil vezes ao quadrado com ela à
sujeição do arbítrio. Pelo menos um comum cidadão – ou
‘meio’, sei lá – como eu, posso, mesmo com uma retórica
barata, questionar livremente o conteúdo de um
correio-eletrônico ou expressar o que vier na telha. |
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