PARECE

 

          Desta vez se não for mais um engodo em época de eleições, a coisa vai.
         Pô! A construção da estrada Belmonte/Canavieiras parece brincadeira, ou então tem “cabeça de jegue” enterrada por perto. Ser difícil assim só na casa do...chapéu!
         Para o conterrâneo belmontense, engenheiro Marcos Melo, não fora feita por culpa das sucessivas administrações baianas, em que seus comandantes só fizeram prometer, mas no fundo, sempre se portaram desinteressados.  
         Com isso fugi da crendice e caí na real. De fato os nossos “governos baianos” (com aspas e o que quiserem acrescentar) foram (tomara, saiam do pretérito) realmente eficazes em enganar o eleitor. Aliás, essa de enganar, frente nossa realidade, é a sabedoria fundamental do governante (aí extensivo aos demais estados da federação).
         Como acompanho esse apelo há mais de duas décadas, na luta já se envolveram desde associações consideradas, como a Acsulba (Associação das Câmaras de Vereadores do Sul da Bahia), aos tradicionais abaixo-assinados, além de outras entidades da Região, e alguns prefeitos e deputados.
         E tudo indica que não se chegou a termo por pura insensibilidade, e culpa claro, dos recebedores das reivindicações, ou seja, dos, repito, continuados governantes baianos.
         Ressalte-se nessa luta, a determinação de Justino Melo (um ex-vereador de Canavieiras) que, na batalha com “abaixo-assinados”, “dossiês” e o diabo a quatro debaixo dos braços, enfrentando por vezes a incrível burocracia estadual, ficara, como dizem seus amigos: cansado de guerra. Porém, garanto: jamais perdera a esperança.
         Esperança que canavieirenses e belmontenses e, – por que não? – toda comunidade regional cacaueira tenta reencontrá-la.  E como noticiado, uma esperança que poderá ser olhada sem as futricas, pilantragem, picaretagem (e outros “agens”) e a barganha que, infelizmente no Brasil (portanto: não somente na Bahia) são princípios norteadores do político quando envolve

 

um empreendimento às vésperas de eleições.  Vamos aguardar. Vamos aguardar.
         Pois é, agora em prol de sua concretização estão atuando dois grupos: o do deputado Geraldo Simões que se articula em Canavieiras e o de Iêdo Elias, prefeito de Belmonte, se mobilizando junto a João Leão, secretário de Infra-Estrutura estadual; tendo como adjuvantes o Derba e, segundo se comenta, correndo por fora, a empresa Veracel Celulose.  
         Tentativa de reencontro com a esperança, sim, porquanto a descrença – e até certa revolta – é notória na cara de cada cidadão de Belmonte e de Canavieiras. E tamanho é esse sentimento que registrei de um belmontense, calejado e revoltado com as promessas não cumpridas, o seguinte: “Rapaz, não me fale mais nesta droga não! Eles tratam essa ligação como um “resto” na Bahia e vão dando uma de “migué””. Vixe Maria! Será que os caras lá em cima entendiam (ou entendem, sei lá!) o pedaço divisório da Costa do Cacau e Costa do Descobrimento (sugestivos apelidos turísticos dados a esse trecho da Região Cacaueira) dessa forma mesmo? Sussurrei, refletindo. Se levarmos em consideração essa pretensa ligação rodoviária, não resta dúvida: parece
         De um canavieirense, também desenganado com esse descaso governamental, a afirmação que a Veracel apenas está na parada pelos seus interesses. Em parte concordei; mas vamos e venhamos. Nosso sistema econômico é capitalista e temos de encará-lo como tal. O que não é cabível é num país já de maior idade, de avançada tecnologia em alguns setores, assistirmos os políticos continuarem se portando como no atrasado tempo do “coronelismo”, ou muito pior, como uns “senhores feudais”. Com a Veracel o que pese o alheamento das autoridades baianas diante do “distorcido” geográfico do estado (sua fábrica fora implantada em Marília, município de Belmonte, mas está constando como se fosse Eunápolis) e a possibilidade de distúrbios ambientais, vale aí torcer pela sensatez dos políticos (e não dos politiqueiros) em equacionarem os interesses em favor do Estado baiano. E que não fique em duas opções estanques. Uni-vos, “políticos baianos e/ou regional”, de todos os matizes, e fazendo suas partes, trabalhem para oferecer à Bahia uma estradinha (+ ou - de 30 quilômetros) com tudo de direito, e com o necessário cuidado de minimizar o impacto ambiental, lógico.