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Depois de alguns dias estressantes devido a afazeres (e olhe que no conceito do sociólogo FHC - desdenhando a própria classe – pertenço ao rol dos vagabundos do Brasil, porquanto aposentado do serviço público) aqui na Capitania dos Ilhéus, resolvi tirar uma de usar o sofá do analista.
Captou? Falo daquela demanda médica particular pelo tratamento do mal da civilização, o stress. Manjou também do porquê de particular? Correto. Se fosse com o SUS, naturalmente algum mangangão de lá argumentaria que o sistema público de saúde poderia quebrar ou – ironicamente – baixar UTI.
Suposições, amigo! Suposições! Bom, como possuo, de direito, uma única aposentadoria (assim mesmo ferida com atropelos a Constituição e o com o “vagal”, do ex-presidente da República!), o jeito – contrariando a prescrição médica da não automedicação– foi recorrer a uma clínica caseira. Daí, ser orientado por psicanalistas de plantão a refletir sobre as nossas origens, deitar e relaxar, foram os passos seguintes.
Então, imaginando, hidrogênio, gravidade, plasma, galáxias, essas coisas todas da imensidão do espaço, iniciava a sessão terapêutica. Vi literalmente nossa Via Láctea e me senti pequenininho como um grão de areia. Com o tamanhão das distâncias emocionei-me a ponto de matutar: será que a beleza das luzes das estrelas vista por nós é real? E me enchendo de dúvidas cheguei a me questionar se ainda existia o Universo. O interessante é que, quanto mais me aprofundava nesse mergulho imaginário, ia ficando convencido que muito menos que um grãozinho eu era um nada na imensidão espacial. Finalmente o encontro e, um dilema: Criação ou Big Bang?
Se por um lado o fantástico cosmo fazia o seu papel curativo, por outro, tomar uma decisão gerava em mim um conflito, agravado com a inevitável e natural lembrança do Planeta dos Homens. Com isso meu divã medicinal, como uma poltrona qualquer, pareceu inconsistente e a fraquejar na eficácia, porém, como não havia ingerido placebos (aquelas pílulas receitadas |
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e comercializadas malandramente na Terra – o dito planeta...– como ativas, para enganar o paciente e piorar o seu bolso), reservei concentração para ir em busca de mais uma progênie.
Pois é. Apesar de o ambiente terrestre atrapalhar a autoterapia, não desanimara e, viajei fundo mais uma vez na imaginação e me deparei com mais um princípio, o do homem. E a exemplo do anterior, discutível, me colocando novamente às turras com minha imaginária consciência: Adão e Eva ou a evolução do macaco? Esta discussão interna, confesso, me fez tremer nas bases. Para me safar, malandro terráqueo desde antigamente, driblei mentalmente a polêmica entre religião versus ciência e avancei anos-luz para a realidade de nossa relação e, como a manobrar uma varinha de condão encontrei a “cooperação” dos homens no primitivo tempo da caça e da pesca. Foi quando notei um cara cercando um terreno e com orgulho alardear ser o seu proprietário. Esta cena bastou para no grupo se formar uma confusão danada: Todos se diziam dono do pedaço e o entrevero começou. Aí, como um salvador da pátria, surge um bonachão acompanhado de animais bovinos e de uma sacola cheia de moedas (prata e ouro ) a fazer propostas de compra. Nesse instante percebi que o alvoroço generalizado daquela sociedade de humanos, se moldava – ainda que permanecesse o desejo de propriedade individua l– numa espécie de sistema relacional para esconder as desavenças. Momento antes recordava que há muito em território brasileiro eu qualificava essas “tais regras” de “selvagem”. Agora, as idéias clareadas e reparando meu erro, entendia que o tal sistema (já percebeu qual?) – embora evoluído dum estado cooperativo– se corporificara num estágio incivilizado da humanidade. Desta forma, tanto aqui como acolá, ficava provado ser ele “selvagem” porque nascido “selvagem”. Nesta altura do campeonato, como é de se notar, só deu Terra em minha mente, fatalmente desembocando no país do futebol, com destacada recordação para os bichos homens (já em evoluída condições culturais e políticas), como para a conduta da maioria dos nossos denominados vanguardeiros políticos. Memória esta que acabou por interromper em definitivo o processo de cura de meu divã terapêutico! |