MINHA REAÇÃO  

 

        Não, assim virou mangue! Foi minha reação à notícia de um recentíssimo mapa da Bahia, desta feita com o povoado de Barrolândia que desde o nascedouro pertencera a Belmonte, agora a figurar dentro dos limites de Santa Cruz Cabrália.
        Não faz muito o de Marília simplesmente (bota simplicidade nisso!) fora transferido para o território de Eunápolis, causando grande prejuízo ao município belmontense e mais uma representação gráfica oficial rasgada e feita de picadinho sem a menor cerimônia. E o ato revela-se tão simplório que mais sugere uma mercadoria, um objeto qualquer que se pode tirar de um lugar pra outro ao bel prazer do freguês, ou, mais provável, do patrão.  
        E de patrão poderosíssimo, daqueles que passa por cima de normas e o que estiver pela frente para mostrar a Deus, ao mundo e adjacências que no estado chamado Bahia, o mandante é somente ele e fim de papo.
        Ou estou errado com essa de patrão? Reproduzindo na integra e conforme bem noticiado em blogs e jornais, o tal chefe é a SEI, a Secretaria de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia. Então, para mais detalhes, procurando quem conhece do riscado, encontrei José Rezende, um –como é conhecido–, conceituado especialista em aerofotogrametria, cartografia e hidrografia que nos anos de 1978 e 1979 fez parte da equipe que confeccionara mapas em vários municípios da Região Cacaueira, incluído o deste, o das terras subtraídas.
        Aí foi esclarecedor que as linhas demarcatórias municipais obedecem a Memórias Descritivas e que no caso dos dois municípios em referência ela recomenda seguir o Divisor d`água, ou seja, a divisória obedece a observância do curso das águas direcionadas às bacias do rio Jequitinhonha (Belmonte) e do rio João de Tiba (Cabrália). Daí ficar caracterizado, por –na  melhor das hipóteses– equívoco, o avanço territorial de um  município sobre o outro. Ademais, a afirmação “Esta

 

Superintendência de Estudos Sócio-Econômicos da Bahia-SEI, foi a mesma que na década de 80 utilizou os nossos vinte mapas municipais para atualizar a base cartográfica da Bahia na Região Cacaueira, e nem por isso fez referência a CEPLAC no final do trabalho.” de Rezende (tópico de seu artigo “Ilhéus – Revisão Territorial: “Prefeitura Demonstra Amadorismo”” de 13/4/2010, tirado do site R2CPRESS), serve –sem nenhum prejulgamento, se diga– para ajudar nas análises e para colocar em alerta que ocorrências públicas se dêem realmente às claras. 
        O mais estranho é que não se noticia conflito territorial entre esses municípios limítrofe, e mais estranho ainda, é o fato dos prefeitos não terem sido comunicados da ocorrência. O de Belmonte, Iêdo Elias, por exemplo, numa matéria (blog Jornaldebelmonte.com) com o título “Governo Quer Arrancar Mais um Pedaço de Belmonte de 12.4.2010, declara que essa situação o pegou de surpresa e considera que essa perda de Belmonte “não é somente de natureza territorial e econômica, é acima de tudo uma perda social, moral e política”. A não ser que, a falta de claridade no processo, esteja por trás envolvido interesses escusos, e bastantes imorais.
        Aliás, de acordo publicações na imprensa, entidades governamentais de poder de decisão, não se sabendo quais as razões, têm, no tocante a problemas de terras, escorregado no pedaço. Ressalte-se a conclusão da responsável pela questão indígena causadora de ruidoso impasse nos direitos de agricultores e índios na região de Olivença, com significativa perda territorial para o município ilheense. Sim, e acrescente-se que os novos estudos desta mesma SEI, também contraria o traçado territorial aqui da Capitania dos Ilhéus, com substancial subtração de terras.  
       Bom, episódios como esses só fazem gerar desconfianças, colocando inclusive em xeque a confiabilidade do governo baiano e, servirem para pôr em prática, minha –com desculpas pela extremada qualificação– reação.