DO COLETIVO

 

         O desembarcar de alguns passageiros no ponto da sede regional da Ceplac me fez nutrir de algumas lembranças.
         Antes disso, no “buzu” oriundo de Itabuna, como a prenunciar o momento eleitoral, dois jovens sentados a minha frente iniciaram uma conversa me chamando a atenção:
         – Em quem você votará pra Presidente da República? –disse o rapaz.
Então a moça:
         – Por enquanto estou em dúvida... E você?
         Pelos apetrechos que portavam logo percebi se tratar de estudantes universitários.
         – Ora, tás brincando? Eu de muito já escolhi a mulher. Você entende né, eu só voto no candidato do homem. Ele pode escolher até um “cachorrinho” que tôu com ele e não abro.
         – Okei colega, pra lhe ser sincera eu vou com o careca. E tem mais: o meu deputado é aquele “gatinho” que esteve na Universidade dando uma palestra, lembra?
         Meio desapontado por não ouvir dos estudantes de nível superior –tidos como elite e futuro pensante do país– o que eles esperam do Brasil com seus preferidos no poder, pelo menos em referências às suas futuras profissões,  desliguei as antenas e, cochilei.
         Bem, despertei e me veio o caso dos gringos que desejosos de conhecerem uma mata na antiga estrada Ilhéus/Itacaré recorreram à direção da Ceplac que lhes colocou à disposição um veículo, um funcionário versado

 

em fauna e flora, e outro em mapas. Área vasculhada, fotos, filmes, anotações, enfim os desejos dosestrangeiros satisfeito, na volta para desfrutarem mais daquela natureza tropical atlântica, resolveram tomar um banho no Almada. Aí inesperadamente surge um bando de borboleta e uma, desgarrando-se das outras, se direcionou ao rosto do motorista que, instintivamente a repele com uma das mãos. Foi o suficiente para um dos visitantes ilustre, justamente o que enrolava o portuga esbravejar: “O senhor não devia ter feito isso. Não sabes que é uma grande polinizadora!?”. Como houve apenas um choque, o motô, um tanto magoado, pegou o lepidóptero e atirando para o ar disse: “Olha aqui Mister, tá vivinha da silva, tá legal?”. Como uma ironia do destino, o inseto voou em direção a face do gringo que, em idêntica ação, o rebate fazendo-o cair morto, e: “Oh, o seu pó pode irritar os olhos! pode irritar os olhos!”.
         Não sei, mas possivelmente essas recordações sejam motivadas pela polêmica ambiental gerada ao sabor de possíveis empreendimentos em Ilhéus, e, sei lá, por conta de imaginativos e hilariantes causos de espirituosos ceplaqueanos nos tempos das vacas gordas do órgão. Complete-se que em consonância com esse episódio se dizia que “Na Ceplac bastava o cara embolar a língua pra ela abrir as pernas”. 
         Saltei do coletivo intermunicipal na Capitania dos Ilhéus e a caminho de casa ainda ligado a incursão mental lembrei-me daquele velho ditado popular que diz “cada um sabe onde seu calo aperta”, e também dos sábios o “equilíbrio”, mas este foi rapidinho pro beleléu frente o entendimento dos nossos dois estudantes, convictos eleitores de felinos e caninos.