FICA A INTERROGAÇÃO

 

       Diante do fracasso em termos sociais do Capitalismo e do Socialismo no mundo, algumas vozes ilustres têm emergido e sem nenhuma cerimônia, metido o cacete em ambos.
A de Paulo Skaf, presidente da FIESP, com “Tese, antítese e a sínese revisada” foi a mais recente, e captada no DI daqui da Capitania dos Ilhéus.
      Como natural a voz, embora os esculachos pareçam imparciais aos dois sistemas, a depender da cor da camisa do time que o cidadão vestia (ou veste, mas agora cauteloso e jogando mais na retaguarda), pode ser mais contundente –às claras ou sutilmente – em  cima de um do que em cima de outro.
      Naturalíssimo então, que a do insigne citado fosse –mesmo não sendo aos berros–, mais  complacente com o regime do capital.
De sua “Tese...” amarelei (claro, com a marcadora de texto!) alguns trechos e um deles no tocante ao capitalismo ressalta que “O liberalismo tem-nos, igualmente, ensinado instigantes lições. A primeira delas é que não se pode manter contingentes populacionais alijados dos direitos básicos da cidadania, do consumo e do acesso a uma vida digna. A exclusão, conforme já transitou em julgado no tribunal da realidade, gera violência, dificulta o crescimento sustentado e fere a ética existencial do homem. Portanto, cabe ao capitalismo socializar os benefícios da economia de mercado.”. Outro, desta feita indo de encontro ao socialismo, afirma que “... não se pode tirar do ser humano o direito à liberdade de sonhar, ser diferente, prosperar à custa de seu talento e esforço, dar conforto aos seus familiares e acumular bens resultantes de seu trabalho.”
      Reconhecendo uma saga deixada pela bipolarização

 

ideológica, política e econômica da URSS eEUA à humanidade, fala alto ao concluir que “Os regimes totalitários ¾ comunista e capitalista ¾, foram um desserviço, não conseguiram transformar as respectivas teses socioeconômicas em desenvolvimento e, de quebra, deixaram um legado de violência e rancor”. Acredita ademais que ela, a humanidade “Escolheu a democracia como regime político e se define, aos poucos, por um capitalismo no qual os trabalhadores devem ter mais acesso aos benefícios do capital”.
      Justificando o título do artigo acha que os filósofos da dialética materialista, Marx e Engels, acertaram no diagnóstico da exclusão e justiça social, mas erraram na síntese, porque, segundo ele, os tais pensadores tinham como líquida e certa a solução da fome através da revolução do proletariado e do comunismo. E assim se convence que a humanidade está formulando uma nova síntese, com a economia de mercado sendo o meio “...de a civilização globalizada ser próspera, socialmente justa, equilibrada e feliz”, e implora a viabilização desse avanço do pensamento universal.
       Morou a notória puxadinha de saco? Tudo bem que o Socialismo na prática escorregou feio na jogada, não conseguindo as boas intenções, e a “formação de castas, e de déspotas, reeditando as relações de suserania da Idade Média” como ainda exprime o notável paulista, não foi exemplo para nenhuma sociedade seguir, mas, cá com minha análise mambembe: e o Capitalismo? Será que o as relações capitalistas tornaram-se, como num passo de mágica, de uma hora para outra, boazinhas, a ponto de minimizar as sempre crescentes diferenças sociais?
       Exclusão a vista e a ferir –de acordo citação– a ética existencial do homem, será - novamente cá com meus botões– que a humanidade elegeu realmente a Democracia, o sistema político, parceiro do Capitalismo? Fica a interrogação.