Fazendo direitinho o dever de casa

 

     Quando tempos atrás o Presidente Lula saiu com aquela dos “300 picaretas”, teve o cuidado - astuto que só ele– de, tentando preservar as duas Casas legislativas, ressalvar uma “minoria”.
É dessa inferioridade numérica que chego focando do senador Cristovão Buarque, um dos “ressalvados”, o seu pronunciamento a respeito do recente Fórum de Diálogo de Civilizações, no Rio de Janeiro.
         Defende que, no que tange ao velho modelo de divisão em países de Primeiro, Segundo e Terceiro Mundo, não mais existe; imperando agora a diferença cultural tanto no âmbito interna como no externo.  Ilustrando classifica Brasil, Argentina, Turquia, China e demais integrantes da casta –outrora– subdesenvolvida, como sendo hoje países ricos, embora com a “maioria” de suas populações ainda pobres. Com referência aos primeiríssimos (EUA, Alemanha, França etc.,) entende não mais caber essa deferência, porquanto neles viverem igualmente populações pobres, ressaltando serem estas umas “minorias”. E afirma que em questão de consumo, as classes “médias” e “altas” brasileira não diferem em nada das congêneres estrangeiras.
Para o parlamentar  “Nós temos um Primeiro Mundo internacional dos ricos que vêem os mesmos filmes, lêem os mesmos livros, usam as mesmas gravatas,

 

calçam os mesmos sapatos, viajam nos mesmos meios de transporte”,  enfim para ele, o Planeta está dividido iculturalmente em uma “minoria rica” e em uma “maioria pobre”, números estes em torno de 1 bilhão e 5 bilhões compondo essas porções populacionais.
         Ele não vê, como se nota, uma “separação” das populações ricas, mas ao contrário, evidencia uma “desunião” das pobres ao dar exemplo de que “O pobre da Praça da Sé, em São Paulo é diferente de um pobre do sertão pernambucano”
Nos pormenores destaca o Brasil como um retrato da Civilização, e a Escola e a Saúde daqui diferenciadas, achando existir uma Escola e um Sistema de Saúde para uma população de pobres e uma Escola e um Sistema de Saúde para uma população de ricos.
Saindo da relação ricos versos pobres, vê também o mundo dividido (sem especificar) entre aqueles que acreditam que o futuro está no “desenvolvimento sustentável” e os que adotam o “desenvolvimento a qualquer custo”.
Entendi na condição de representado que o discurso do parlamentar resume num alerta para a cruel realidade de povos diferenciados pela riqueza e pela pobreza e os inevitáveis choques culturais, ou, em outras palavras, para a realidade de uma “globalização da miséria”.
E o caminho para a minimização dessa situação é cumprirmos a nossa parte de eleitor fazendo direitinho o dever de casa, ou seja, fazer com que jamais haja necessidade de “ressalvas”.