ESTÁ  MAIS PARA EÇA

Disseram pelas bandas da antiga Grécia que política é a arte de governar a polis, a cidade, o Estado de lá, e é de lá também que, ela age visando à felicidade e o bem-estar dos homens.

O mundo já mudara bastante geograficamente e é uma época em que a Igreja Católica, dando margem ao surgimento de outras crenças por atitudes inapropriadas de seus membros mais influentes, começa a perder força.

O ideário da Paz – embutida da contraditória negação à fé mulçumana – aos governantes que por tabela lhe daria condições de resgatar o prestígio, não avançara suficiente e, coincidência ou não, outro, de caráter puramente beligerante estourava nas paradas.

Estamos em meio aos conselhos de “O Príncipe” ao monarca para torná-lo um eficiente dirigente político, livro este que seria de extrema contribuição ao conceito de Estado atual, influenciando os quatros cantos do planeta. Entre nós, dele, por sintetizar o “vale tudo” na conquista de objetivos à conveniência do mandatário, incluindo o alheamento a ética e a moral, ficaria famosa a dedutiva expressão popular “os fins justificam os meios”.

Era então um retrocesso à evolução da política ateniense de antes da era cristã? Ora, o vigente cenário de protestos religiosos e de reforçamento da autoridade dos reis, combinado com o de uma Itália – país de Maquiavel, o autor – invadida e sem unidade territorial, possivelmente teria  influenciado o pensador.

E importante tornou-se a Política que hoje dela tudo depende!         Ah, e os políticos?         Sim,       tamanha é a

responsabilidades    deles  por  serem  a  expressão  de uma sociedade, porém jamais cópia fiel, porquanto em paralelo adotarem a demagogia, ou em primeiro plano!

“Os políticos e as fraldas devem ser mudados freqüentemente e pela mesma razão” é uma frase rolando na internet e dada como de Eça de Queiroz, o famoso escritor lusitano do século XIX. Naturalmente ao analisar esse poder de enganação desses intermediários do povo, lhe deva ter advindo a inspiração!

Observe-se que em Maquiavel, embora se questione como esdrúxulo certos argumentos, havia, baixando-se ao nível da idade mediana, razões para tal, sobretudo porque no bojo de suas idéias – diferentemente de como se pratica hoje (“e vem de longas datas”, como diria o amigo Raimundo Lá-Vai-Bala)  na terrinha nossa de cada dia – entranhava-se o “patriotismo”, a defesa de sua terra, de sua gente.

As supostas palavras do homem de o conhecido “O Crime do Padre Amaro”, apesar de traços hilariantes, parecendo um tanto inofensivos à primeira vista, na verdade elas são contundentes por insinuar todos embrulhados num mesmo saco de... Mas certamente alguns – evidentemente pouco – por usarem fraldas de fabricação “politicamente correta”, tipo daquelas resistentes a “borradas” de maior intensidade, ficarão de fora do embrulho: são os incumbidos de construções de “esgotos sanitários” por aí afora, impedindo que a sujeira, o excremento, o mau cheiro de seus pares, contaminem outros cidadãos.

Aqui com a gente, se for levado em conta – só como pequeninos exemplos – o tempo de espera em atendimento na maioria dos nossos  órgãos públicos no seio da rapaziada e dos velhinhos, principalmente, e a reputação  deles, os políticos,  parece que a nossa “classe política” está  mais para Eça, do que para os antigos gregos!