FICA A FAMA

Quando pipocavam há pouco tempo com abundância os casos de lesa-pátria no Congresso Nacional, repeti em meus rabiscos serem as exceções ainda a sua sustentação.

         Não foi à toa que o atual Presidente da República, quando integrou aquele  poder, dissera  lá haver uns 300 picaretas.

         O Senado, pelo ar mais austero, eles ocorrem em menor número; ou possivelmente pela proporção das cadeiras em relação à Câmara dos Deputados. Ou, sei lá, talvez a exigência de uma idade mais elevada para o exercício, imprima certa prudência a botes precipitados, às meliantes excelências.

         Do Palácio Conde dos Arcos, no Rio de Janeiro à cúpula Côncava brasiliense, a instituição já foi palco de notáveis e notórios, a exemplo de um Ruy Barbosa e sua brilhante inteligência à grandiloqüência de um Josapht Marinho e de  um João Mangabeira, este, na juventude, um militante nas lides advocatícias, aqui nas plagas ilheenses. E de igual naipe, sem o questionamento se foram quebradores do decoro parlamentar, tanto e tantos outros. Eduardo Catalão, um baiano nato de Ilhéus, foi outro a ocupar assento na Casa – a “Câmara dos Lordes” dos britânicos na qual se inspirou inicialmente a idéia senatorial brasileira.

         E conceituou-se de tamanha supremacia que na monarquia, pela mão do imperador, o seu ocupante ganhava a vitaliciedade, garantia recentemente defendida a ex-presidentes da República – à moda italiana – por alguns dos nossos cientistas políticos e parlamentares. Já pensou? Não bastassem as pizzas (famosas pizzas!) da culinária da península, que deixam

balofos, gordinhos mesmo, nossos impulsivos parlamentares, mais essa de corroborar com o privilégio! E a aberração da proposta em si é não ser lavada em conta se foi bom ou mau governante, nem se o cara – e nada impossível! – se enveredou pelo caminho da corrupção!

Degenerou-se então com a evolução a nossa Câmara Alta? A resposta só com uma análise mais acurada. Os pipocos não se dão tão constantes, bem verdade, como na Casa do vizinho, mas quando estouram, no salão não há painel eletrônico, apesar da alta resistibilidade tecnológica, que suporte!

E é tão assustadora a violência que os estilhaços, atingem como na do lado, em cheio a maioria. E alcança um raio de ação enorme que nem mesmo os mais protegidos hierárquicos da histórica “assembléia de patrícios” da antiga Roma, conseguem escapar. É, mas há os poucos que antecedem o estrondo das bombas e se salvam. Entre eles, amigo, Jefferson Peres, que sempre saiu ileso e ainda orientava no combater as chamas, evitando por vezes a Casa de uma terrível destruição.

Ido, no percurso natural da vida, para outro plano, não poderei mais, daquela figura miúda, sentir a luta por um país próspero, justo e digno, o que me esperançava. Epa! corrijo-me, poderei sim, porque dos homens probos e virtuosos vão-se as matérias, mas as atitudes e palavras jamais fenecem, ao contrário das demagógicas que apesar de  perigosíssimas se exterminam por si só.

Morre o homem, mas como no velho samba de Ataulfo Alves, “fica a fama”, e da fama de Jefferson Peres não precisa dizer mais nada. E, juntada às de poucos vivos e mortos, servirá como exemplo para transformar o Parlamento Brasileiro de exceção em regra, e mudar meu conceito.