O recomeço - 14 de agosto de 1958, emancipação política

No ano de 1938, o nome de Pedra Branca foi mudado para Itamarati, que tão logo, por um fato inusitado fez com que o distrito mudasse novamente de nome, ou seja, correspondências enviadas ao Palácio do Itamaraty eram encaminhadas ao distrito de Itamarati, causando sérios contratempos. O distrito passou, então a ser chamado de Italva, permanecendo com esse nome até 1944 quando recebeu a denominação de Itapebi, palavra  formada por três junções de formação  tupi guarani (Ita = pedra, Pe = chata, plana, Bi = ponta, terra, chão).

No dia 14 de agosto de 1958, Itapebi foi desmembrado de Belmonte e elevado à categoria de município.

Foi escolhido o primeiro prefeito, o Filho de Pedro  e Leonor, Clóvis Adolpho Stolze, que exerceu um mandato entre os anos de 1958 a 1962, período em que idealizou uma nova cidade, inspirado em Juscelino Kubitschek, projeto que só foi implementado nove anos depois pelo então prefeito eleito, Renato Duarte Ribeiro da Costa.

Na vanguarda da história política de Itapebi  a  família Stolze,  sempre teve a preocupação com o futuro da cidade e, assim, procurando estar atenta às transformações que poderiam ter reflexos no município, investiu em educação, saúde e comunicação em todos os níveis, pensando na geração de emprego e renda, dotando a cidade de infra-estrutura, fazendo crescer a área de serviços.

Nesse período foram construídos o hangar, o mercado que também funcionava como alojamento para os tropeiros que comercializavam, ali, as suas mercadorias, foram pavimentas as ruas, praças Ney Viana e Havaí, hoje praça 14 de agosto, foi implementadae a energia elétrica.

Foi construído  o ginásio da cidade (foto abaixo), quando  trouxe para o município, professores qualificados para lecionar. A qualidade dessa equipe, formada por Valternise, Célia Bernadete, Marilena Pimentel, Joaquim, Roque  e Antônio Lopes (autor da letra do hino de Itapebi, musicada por Antonio Cirielo), transformava  esse centro de ensino como o melhor na região. Mais tarde, somou-se a esse grupo as professoras Nadir Simões, Cleuza Guimarães, Ivone Paternostro, Cecília e outros que muito ajudaram a compor esse período. E professora Eulina Suzart que já lecionava desde 1931, passou a exercer a função de supervisora de ensino.

Nossa comunidade vivia seus grandes momentos, também na área cultural.

Nas décadas de 1940 e 1950, a grande rivalidade nos quatro dias de carnaval ficava por conta de dois cordões: o Cordão das Primeiras e o Cordão das Segundas. O Cordão das Primeiras era integrado pela elite da cidade e contava com a animação de músicos vindos de Belmonte. O Cordão das Segundas tinha a participação de populares e era puxado por Rosalvo Teixeira, no trompete. Todos fantasiados, com suas vestimentas preparadas com muita antecedência e expectativa, a animação era total com as marchinhas de carnaval da época.

A  disputa entre os dois cordões todos os anos tinha como vencedor, por aclamação, o Cordão das Segundas. A organização ficava por conta de Nadinho de Betinho (Agnaldo, irmão de Ariádine de Veri), um grande organizador dos carnavais. Também participava da organização Claudionor Teodoro dos Santos (Nonô), um dos maiores animadores dos carnavais de rua da cidade, que também cantava nos bailes carnavalescos realizados nos salões. No meio dos muitos foliões, desfilavam também pelas estreitas ruas as "cabeçorras": personagens com máscaras gigantescas feitas de muitas camadas de papel e cola. Todos tinham a curiosidade de saber quem estava sob aquelas enormes máscaras e as vestimentas que cobriam o corpo inteiro.

Nas décadas seguintes os carnavais passaram a ser animados por Joao de Lila, Raulino, com participação de músicos vindo da cidade de Belmonte e mais tarde passou a integrar o grupo, Nilton Nascimento.

"Varre, varre vassourinha, pela estrada além, vá dizer à prefeitura que Jani já vem"

Assim cantava um séqüito de correligionários políticos que torciam pela vitória de João Rodrigues da Silva (pai do artista Avelino Xangai), mas que um ano depois, em 1964, por pressões também política, entregou o cargo que passou para o então funcionário administrativo, que já trazia um vínculo de amizade com o antecessor Clovis Stolze, Jesuíno de Almeida Costa, nomeado pelo governo militar e que governou até o ano de 1966. Nesse período pavimentou a praça da igreja de N.S. da Conceição, padroeira da cidade. Além do seu antecessor, também foi um dos grandes incentivadores da Filarmônica 1º de janeiro...

 
 
 
Em 1945 já havia um campo de pouso de aviões. 
 
 
Ginásio Clovis Adolpho Stolze
Quadro de professores no ano de 1966
Da esquerda para a direira, Zé de Miguelina, Raulino, João de Lila, Josa